segunda-feira, 28 de março de 2005

Ana Carolina é premiada

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A cantora recebeu disco de platina pelos seus DVDs. Para receber tal certificado pela obra, no caso DVD, o artista precisa ter alcançado uma vendagem mínima de 50 mil cópias. “Estampado”, lançado em Outubro de 2003, vendeu até o momento 60 mil cópias, enquanto que “Estampado – Um Instante Que Não Pára”, lançado em Novembro do ano passado, atingiu 50 mil unidades. A cantora recebeu os prêmios na noite desta última segunda-feira, dia 28, no Rio de Janeiro.

Fonte: Canal Pop

No tom de Ana Carolina

A cantora Ana Carolina entra em estúdio ainda este ano para gravar seu quarto disco, já com uma música inédita, Eu Gosto de Homens e Mulheres, estourada em show. Mas a idéia de Ana é lançar o CD somente em 2006. Afinal, Pra Rua me Levar, faixa do CD anterior, Estampado, entrou na trilha de América.


Nesta segunda-feira, 28, a cantora Ana Carolina recebeu vários amigos no restaurante Zero Zero, no bairro carioca da Gávea. Na ocasião, Ana foi premiada com dois discos de platina pelas 100 mil cópias vendidas de seus dois DVDs – Estampado e Estampado, Um Instante que não Para -, num coquetel oferecido a ela.



anadiscosOs prêmios foram entregues à cantora pelo presidente de sua gravadora, a Sony BMG, Marcelo Schiavo, numa noite que consagrou a paixão de Ana pelo trabalho:
“Eu amo trabalhar e estou muito feliz com esse sucesso. Ele é importante porque é conseqüência de muito trabalho. Tenho orgulho de fazer o que gosto e sei que isso é raro nos dias de hoje. Me sinto realizada por isso”.

Abraçada por dezenas de amigos, como Adriana Esteves, Latino, Leonardo Vieira e Jorge Vercilo, Ana, de paletó preto, calça jeans e os longos cabelos soltos até o meio das costas, não escondeu que a música está em primeiro lugar em sua vida:
“Qualquer assunto para mim vira música. Estou numa fase muito rica e criativa. Costumo fazer saraus em minha casa e é assim que nascem muitas parcerias”.

Ela apontou as telas espalhadas pelas paredes do Zero Zero e revelou:
“Essas telas são minhas. Toda música que faço eu completo com uma tela, e elas acabam indo para a casa de amigos. Assim que tiver mais pinturas, faço uma exposição. Sei que meu trabalho não é academizado, mas é livre e é sentimento”.

A decoração do restaurante era à luz de velas, com bancos, mesas e cadeiras de madeira espalhados, que davam um ar de elegante descontração ao ambiente. Tanto ali como na parte interna da casa, dois telões exibiam Ana Carolina em shows, cantando na intimidade e em cenas domésticas.



Convidados famosos

Entre os amigos que foram abraçar a cantora uma das mais animadas era a atriz Adriana Esteves, que vai viver Heloísa, em A Lua Me Disse, de Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa, próxima novela das sete da TV Globo. A atriz falou de sua amizade com Ana Carolina:
“Sou fã e amiga de Ana Carolina. Adoro o repertório dela. Mas uma das que mais me marcou eu ouvi e gostei antes mesmo de conhecer a Ana. É a canção Quem de Nós Dois, primeiro sucesso dela, versão de uma música italiana. É muito bonita e fala ao coração".

O ator português Ricardo Pereira, o Daniel de Como Uma Onda, da TV Globo, também fez questão de abraçar a amiga:
“Quando a conheci achei-a muito simpática e com uma música maravilhosa. Fui revê-la no Canecão, tempos atrás. Além disso, gosto muito da canção que ela canta na trilha sonora de Como Uma Onda, o tema de Nina, que se chama Nua. Portanto, tinha que vir aqui hoje".

O cantor e compositor Jorge Mautner falou de sua ligação musical com Ana Carolina:
“Me identifico demais com a Ana Carolina, com a grande cantora que ela é. Costumo freqüentar seus saraus, que são maravilhosos. Ana é muito espiritual. E um verdadeiro vulcão”.

Ana Carolina, que esteve acompanhada pela mãe, Aparecida, contou que, por enquanto, não pretende fazer show no Rio. Muito feliz com a premiação, ela dividiu a noite com os que foram abraçá-la, como Aleh Ferreira, cantor e compositor, autor da música-tema do seriado A Diarista, da TV Globo, o DJ Zé Pedro, Latino, Jorge Vercilo, João Donato, Nelson Jacobina, a atriz Ilde Silva, o vice-presidente da Sony BMG, Kevin Ridler, a atriz Ana Beatriz Nogueira, o ator Leonardo Vieira e a amiga Karabachian, entre outros.



O fundo musical da noite de premiação incluiu, entre outras canções, o repertório mais conhecido da cantora, como Garganta, Encosta na Tua, Quem de Nós Dois, Sinais de Fogo – que ela deu para Preta Gil gravar -, Nada pra Mim e Uma Louca Tempestade.

Fonte: O Fuxico

sábado, 22 de janeiro de 2005

Ana Carolina reestréia Estampado no Rio

A cantora homenageou o dia de São Sebastião do Rio de Janeiro


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Ana Carolina reestreou Estampado, seu terceiro CD, no Canecão, no Rio de Janeiro. O show aconteceu no dia 20 de janeiro, dia de São Sebastião, padroeiro da cidade. A cantora não deixou de homenagear o lugar que a acolheu de braços abertos: "Esse dia é muito especial. Quero pedir união e pensamento positivo, para que a violência não se torne maior que a beleza desta cidade", ressaltou. Ela aproveitou a oportunidade e dividiu o palco com seu parceiro e amigo Totonho Villeroy, em São Sebastião, canção composta por ele.


Depois de rodar pelo País e passar pelos Estados Unidos, nem mesmo a noite chuvosa afastou os fãs ardorosos, que acompanhavam a cantora em suas canções. O repertório incluiu novos arranjos para velhos hits, como Quem de Nós Dois, Nada Pra Mim; sucessos recentes como Uma Louca Tempestade, Encostar na Tua, Nua, Elevador; e a inédita Homens e Mulheres. "Essa música é a resposta da Eu Gosto de Mulher (canção do Ultraje a Rigor que Ana incluiu em sua turnê), que deu o que falar", explicou a cantora.


Ana aproveitou que sua platéia estava repleta de famosos e chamou ao palco o seu amigo Aleh, cantor, arranjador e compositor. Sua música é influenciada pela black music sem perder a brasilidade. Seu estilo pode ser definido como mpbsoulsambagroove, que é também o título do seu CD lançado pela Nikita Music, que inclui grooves/levadas dançantes à MPB por meio de seus arranjos de base e metais inspirados em suas principais influências (de Cartola a James Brown, de Cassiano a Marvin Gaye). Ele cantou sua música Ela é dona do jogo, que abre o programa A Diarista, da Rede Globo. Juntos cantaram Isso aqui, o que é?, canção de Ary Barroso que reverencia o Brasil.


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Fonte:Revista Paradoxo

segunda-feira, 6 de dezembro de 2004

Cores fortes da Voz forte

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Se não dá para dizer que ela já é uma pintora com identidade, os quadros espalhados pela espaçosa e iluminada sala da cantora Ana Carolina, em seu apartamento em São Conrado, têm interessantes jogos de cores e formas. Envolvimento com tintas e telas recente, que começou durante a gravação de seu terceiro CD, “Estampado” (lançado em agosto do ano passado), e funcionou então como uma espécie de terapia.
Não gosto muito de estúdio, prefiro show, se pudesse só faria DVD ao vivo. Eu chegava em casa estressada com a rotina das gravações e usei a pintura como uma forma de relaxamento — revela Ana, que, na época, fez um quadro para cada uma das 15 faixas do disco.

São pinturas abstratas, de cores fortes — assinadas com as inicias A.C. — que permitem um paralelo com a música igualmente forte da cantora, compositora e violonista mineira. Ela começou a pintar sem estudo formal, e nisso repetiu sua relação com a música. Mas o interesse pelas artes plásticas vem de longe, admiradora que é do escultor Rodin (“Tenho livros sobre ele, vi o filme sobre Camille Claudel”) e de pintores como Monet, Picasso e Hooper (“A forma como ele trata a luz é fantástica”).
Sempre gostei, tenho livros de pintura, até que um dia comprei telas e tintas. Mas também comecei a tocar violão e cantar sem ter aulas, apaixonada que sempre fui pela obra de Chico Buarque — recorda-se Ana, que tem alguns de seus quadros em casas de amigos mas não pensa em expô-los.

Uma especialista no setor, e amiga da cantora, a artista plástica Niura Bellavinha, dá o seu aval — depois de perguntar se o repórter ligara para fazer uma consultoria ou para entrevistá-la.
Pelo que vi, seus quadros têm uma característica lúdica. Ainda é uma brincadeira, mas se levar a sério, estudar, pode virar uma pintora — responde Niura, que já percebia na música de Ana uma ligação com a imagem. — Tanto melodicamente quanto poeticamente, suas canções têm fortes referências visuais. Acho interessante artistas que rompem as fronteiras. Gosto muito do trabalho de Schnabell (o pintor Julian Schnabell) no cinema, os filmes que ele fez sobre Reinaldo Arenas e Basquiat são ótimos.

A música, no entanto, continua a veia principal de Ana Carolina, que lança agora seu segundo DVD, “Estampado — Um instante que não pára” (BMG). E ela não pára de compor, já tem 20 composições inéditas na fila — “Acho que vou fazer um CD duplo, um BMG e outro Sony”, diz, brincando com a recente fusão das duas gigantes do mundo do disco. Dessa nova safra, “Eu gosto de homens e de mulheres” (letra ao lado) foi escrita como reação ao sucesso de sua releitura de “Eu gosto de mulher”. Na voz de Ana, o rock machista-escrachado do Ultraje a Rigor nos anos 80 ganha conotação inversa, vira canção-bandeira homossexual, em efeito similar ao de Marina Lima cantando “Mesmo que seja eu”, de Roberto e Erasmo Carlos (aquela que traz a frase “Um homem pra chamar de seu, mesmo que seja eu”). — Similar, não, em “Eu gosto de mulher” eu radicalizo muito mais — corrige Ana. — Essa música virou um hino, é obrigatória nos meus shows. Mas ficou muito unilateral, estava me incomodando e fiz essa para contrabalançar.



A reação calorosa pode ser conferida no DVD dirigido por Monique Gardenberg, que registrou, em agosto passado, o show “Estampado”. Nove mil pessoas lotando o Claro Hall, em delírio com os sucessos de três discos, em cinco anos de carreira. Por sugestão de Monique, num dos extras do DVD, “Onde está Ana?”, a cantora usa um disfarce para entrar na casa de shows e se misturar à platéia:
Foi assustador, realmente fiquei muito nervosa com aquela experiência, senti toda a energia de meu público, eu que não tenho frio na barriga antes de subir ao palco.

Entre a adoração e a rejeição



o globoA personalidade e o estilo de Ana Carolina já estavam estampados no seu primeiro sucesso , “Garganta”, canção que é quase perfeito auto-retrato — “quase” pelo fato de ter sido escrita por outro, o gaúcho Totonho Villeroy.
Eu tinha feito um show em Belo Horizonte e chegou aquele cara no camarim com um papel na mão, dizendo que tinha acabado de escrever aquela letra — conta. — Depois me lembrei que conhecia Totonho, eu tinha ido a um show dele no Rio, no Mistura Fina, e adorei, tanto que comprei os dois discos independentes dele.

Nessa época, anterior ao sucesso, Ana Carolina rodava sua Juiz de Fora natal e arredores numa Parati, fazendo shows de voz e violão em tudo que era lugar.
— Mas o meu sonho era vir para o Rio, sempre que podia estava aqui, fiquei muitas vezes hospedada na casa de Cássia Eller, que foi quem pagou o roadie (o assistente de palco) de meu primeiro show no Mistura Fina.
Show no qual foi assistida por uma filha de Vinicius de Moraes, Luciana, que se encantou com a garota de voz e violões fortes e tratou de espalhar a boa nova. Ana, aos 24 anos, já tinha desistido da faculdade de letras (“Fiz até o quinto período”) e logo seria contratada pela BMG.
Meses depois do primeiro CD, fui chamada na gravadora. Eu estava achando que seria mandada embora e quando um diretor disse que o disco vendera cinco mil cópias, não acreditei, achei que era coisa demais. Seis meses depois, já era disco de ouro.

Se o sucesso é uma realidade desde a estréia em 1999, como será que Ana reage à rejeição que também existe em relação à sua música junto a muitos formadores de opinião? Afinal, entre a crítica, e mesmo no meio artístico, há quem torça o nariz para o seu estilo dramático.
Eu tenho uma grande extensão vocal, vou dos graves aos agudos, toco violão bem — responde, com ênfase. — Mas causar coisas nas pessoas, mesmo quando a resposta é negativa, é fundamental. Uma coisa sei, nunca vou fazer música suave, tenho muita personalidade, dou grito mesmo, sei que tenho esse lado overdose. Mas é real!

Fonte: O Globo

domingo, 21 de novembro de 2004

Ana Carolina, a rainha das novelas

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A rainha das novelas. É assim que a cantora Ana Carolina já está sendo chamada nos bastidores. Isso porque apenas com “Estampado”, seu mais recente álbum, ela já emplacou três canções na programação da Rede Globo: “Encostar na Tua”, “Uma Loca Tempestade” e “Nua”. Esta última entrará na trilha de “Como Uma Onda”, a mais nova novela da emissora.

Feita em parceria com Vitor Ramil, “Nua” é o quarto ‘single’ do trabalho. Ana Carolina anunciou ainda o lançamento do DVD “Estampado – Um Instante que Não Pára”, gravado ao vivo durante suas performances no Rio de Janeiro, no mês de Agosto. Esse show, aliás, continua sendo levado pela cantora para todo o Brasil e conta com a direção de Enrique Diaz.



Fonte: Canal Pop

domingo, 25 de julho de 2004

Ana Carolina planeja segundo DVD

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O sucesso da turnê “Estampado” tem sido tanto que Ana Carolina anunciou que gravará o segundo DVD baseado no álbum homônimo, o mais recente de sua carreira. As gravações ocorrerão nos dias 6 e 7 de Agosto no Claro Hall, Rio de Janeiro. Uma surpresa no repertório: além de sucessos como “Garganta” e “Uma Louca Tempestade”, Ana Carolina deverá fazer uma versão de “Eu Gosto é de Mulher”, do Ultraje a Rigor. A direção ficará por conta de Monique Gardemberg.

“Estampado”, tanto o álbum quanto o DVD, foram lançados em 2003. Neste, que é o terceiro disco da cantora, se destaca a canção “Elevador” e as parcerias com Chico César e Seu Jorge.

Fonte: Canal Pop

terça-feira, 6 de julho de 2004

Entrevista com Ana Carolina no Globo

Ana Carolina diz que gosta sempre de anular o corpo nos shows para valorizar a voz



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O DVD teve uma tiragem alentada por confiança nesta nova mídia que foi a favorita dos artistas em 2004. Ana confia tanto que nem vai ter CD do projeto, apenas DVD, o que fará com que fiquem inéditas em disco a versão autoral de "Sinais de fogo", que ela e Totonho Villeroy fizeram para Preta Gil, além do belo número que une "Nua" e "Outra vez", de Isolda, com voz e violão de Ana e a harpa de Christina Braga. - A Christina é maravilhosa, fenomenal, e ela afina tudo aquilo de ouvido. E eu não sabia que harpa tinha aquele grave. Quando ouvi aquilo pensei 'meu Deus do céu, quero casar com a harpa e ter várias harpinhas' - brinca ela, referindo-se ao seu velho amor pelas freqüências graves, presentes também na sua garganta.


Ana responde a críticas ao show com a mesma ênfase com que canta. Ela ouviu ressalvas ao visual escuro demais do cenário e do figurino, mas não abre mão da escuridão. -Disseram que tinha que ter cor no palco, mas eu discordei. Não tem que estar tudo colorido no para o show se chamar "Estampado", é justamente o contrário. E minha idéia é sempre cancelar o corpo. Quero mostrar minha música, a voz, minhas mãos - eu passo muitas imagens nos movimentos das mãos. Nunca diga nunca, mas eu pretendo usar preto por muito tempo - afirma ela, soltando um "pô, não esculhamba", à piada de que se trata de um show funeral.


O trocadilho "vou de escada para elevar a dor", do sucesso "Elevador", incomodou muitos ouvidos. Ana defende o verso várias vezes falando com muita ênfase e separando as sílabas para enfatizar ainda mais. - Acho genial, adoro cantar isso, eles adoram gritar isso, é uma das coisas que mais gosto no disco, foi uma brincadeira com a necessidade de elevador e de elevar a dor. Eu a-do-ro - metralha ela.


ac_ogobo2Ana diz que seu relacionamento com a música passa muito pouco pela razão, é praticamente sentimento puro. - Isso é uma loucura porque a música para mim não passa pelo racional, ela vai direto ao estômago. Não há muito o que pensar, vou pela intuição,. Embora muitas vezes queira ponderar certas escolhas. E filosofa um pouco sobre a escolha de temas sentimentais para a esmagadora maioria de suas músicas, concordando que o sentimento é o grande nivelador do ser humano. - Trata-se de uma dicotomia. O amor é um sentimento que iguala as pessoas e as torna tão diferentes.


Ana Carolina diz que berra porque precisa do grito para se expressar e se declara bissexual


Ana Carolina precisou de apenas três discos para se tornar uma cantora das multidões, como pode ser constatado no DVD "Estampado, um instante que não pára", lançado com tiragem inicial de 60 mil cópias pela BMG. Gravado no Claro Hall, no Rio, em agosto último, teve uma platéia recorde de mais de 9 mil espectadores tão passionais quanto ela.


Ana proclama que canta com o corpo inteiro, berra porque precisa do grito para expressar o que sente e recebe de volta da galera a mesma entrega. - É uma relação muito passional, eu não sei exatamente o que é. Pode ser um espelho, sei lá. Eu canto como se fosse a minha última apresentação, como se não tivesse amanhã. Eu acredito muito naquilo que estou cantando, é tão verdadeiro que as pessoas embarcam - conta ela em entrevista na sala de seu apartamento no 24º andar de um condomínio em São Conrado, recém saída do banho, ainda de cabelo molhado e discretamente perfumada.


Ela manda baixar uns petiscos, incluindo pão de queijo, que não pode faltar em casa de mineiro, e refri light. Ana perdeu 12 quilos, está magra, mas não demais, mantém uma compleição encorpada como sua voz, gesticula muito e se levanta de quando em vez para enfatizar suas palavras. Ela se confessa fascinada e curiosa com a reação dos fãs. - No DVD dá para ver umas mãos...as pessoas interpretam, tem alguma coisa ali da história delas, não tem como não haver uma troca de emoção. Eu tenho muita curiosidade em saber quem são elas. Às vezes eu recebo pessoas no camarim e sempre pergunto o que elas fazem. Quando acontece um show, o artista normalmente está no camarim em companhia de músicos e amigos ou recolhido, se preparando, sem saber coisa alguma da chegada do público e de como se comportam os espectadores antes de começar.


anacarolina_ogloboNa gravação do DVD, a diretora Monique Gardenberg "barangou" Ana com peruca, roupas bregas e maquiagem, mandando-a para o meio do público para conhecer o outro lado. - Eu sou muito tranqüila para começar o show, mas quando entrei no meio da galera, o coração veio na boca, foi o momento mais difícil de tudo, fiquei gelada. Quando eu vi como são as pessoas no meu show bateu uma responsabilidade muito grande, vi umas meninas cantando 'Pra rua me levar' já animadas. Não puxei assunto com ninguém, estava muito nervosa e entrei numa de que era show de outra pessoa, que não era eu que ia cantar. Todo músico devia passar por isso. É muito maluco - conta ela. Esta investida dela é um dos extras do DVD.


Um dos maiores buxixos quando o show estreou foi a interpretação de ''Eu gosto é de mulher'', antigo sucesso do Ultraje a Rigor que gerou comentários de que Ana tinha finalmente saído do armário. Ela diz que há algum tempo pensava em cantar a música. - O meu interesse era a descontextualização. É um discurso completamente machista se cantado por um cara, mas cantado por uma mulher vira quase um hino...gay, né? E isso era o que interessava. Eu não sabia o que ia causar nas pessoas, mas eu sabia que estava fazendo aquilo...Bom, esse negócio de sair do armário...assumir...pois é, mas aí é que está: quando a gente vai levar isso para a coisa pessoal, eu gosto de homens e de mulheres no mesmo volume, tanto que eu fiz uma letra depois disso - afirma ela, referindo-se à recente "Homens que dançam tango", que ela diz não ter semelhança com a música de Renato Russo que fala em gostar de meninos e meninas. - O meu é mais adulto, são homens e mulheres. Meninos e meninas na verdade eu não gosto (risos).


Fiz isso meio em resposta porque ficou uma coisa tão forte que eu decidi falar que tem um outro lado. Daí fiz a letra que diz que 'os homens são para amar de repente e as mulheres para amar para sempre'. E estamos aí...pode ser que apareça um homem para eu amar para sempre. Por enquanto...


Fonte: O Globo