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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Encontros marcados com Ana Carolina

Cantora mineira recebe convidados ilustres em projeto de CD e DVD


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Ana Carolina encontra Maria Bethânia debaixo de uma árvore, entre olhares cúmplices e espelhos redondos que pendem dos galhos, para dublar “Eu Que Não Sei Quase Nada do Mar”. A encenação abre o DVD Multishow Registro – Ana Carolina + 1 (dirigido por Monique Gardenberg), um projeto de encontros com artistas com os quais a cantora mineira não seria identificada de imediato. Maria Bethânia é apenas a primeira de uma lista em que figuram Gilberto Gil, Luiz Melodia, Roberta Sá e Esperanza Spalding – e na qual não falta Seu Jorge.


A base de Ana Carolina + 1 é o repertório do seu disco anterior, N9ve, lançado há apenas quatro me ses. Inédita, apenas “Mais Que a Mim”, gravada com a estreante Maria Gadú, de quem Ana se aproxima mais no timbre do que na intensidade da interpretação. A novidade do projeto fica então basicamente por conta dos convidados –e a mineira está, de fato, bem acompanhada.


No dueto de abertura, que Bethânia havia gravado sozinha no disco Pirata, Ana divide os vo cais respeitando os contornos que a baiana delimitou em sua interpretação original – com o pendor dramático em comum entre as duas intérpretes e o equi líbrio delicado que Bethânia domina. Parcerias como essa, em que a anfitriã acomoda sua voz potente e grave em arranjos mais refinados ou mais simples, nos dois casos to mando emprestadas qualidades de seus convidados, são os momentos mais felizes do registro. O proveito dos encontros, afinal, está no que se aprende com o outro.


“Traição” é um exemplo de como o canto arrebatador de grandes públicos de Ana ganha sofisticação, quando acompanhado ao piano por Daniel Jobim, e ao baixo e voz pela ascendente cantora norte-americana de jazz Esperanza Spalding, em estúdio.


Se Ana vai de samba, também sobra menos espaço para seus gritos e fraseados prolongados. A intérprete se suaviza para acompanhar Roberta Sá no lento “Milhares de Sambas”. Mas, ainda que o resultado sonoro seja interessante, o visual é comprometido por escolhas duvidosas, como a abertura com um inexplicável travelling em torno de uma estátua neoclássica até alcançar uma escadaria de cimento – cenários de um samba, vale lembrar. Aliás, gênero defendido frescor com por Luiz Melodia, parceiro da suingada “Cabide”.


Mesmo quando a intérprete de “Garganta” se livra de maneirismos no canto, não resiste a frisar cada intenção das letras com caras e bocas. Ana não poupa lábios mordidos enquanto espera Angela Roro dar conta de seus versos em “Homens e Mulheres”, uma declaração de desejo pelos dois sexos. Seus fãs mais entusiasmados com as interpretações quase agressivas vão se refestelar ouvindo “10 Minutos”. A iluminação vermelha sobre a noite escura prepara o ambiente para dramalhão: “Fora!”, canta uma atordoada (e raivosa) Ana Carolina, dedo em riste contra a câmera.


Além do DVD, Ana Carolina + 1 chega às lojas um CD correspondente, com dez das 14 faixas do registro em vídeo.




Participações especiais


Ana Carolina + 1 registra encontros da cantora com artistas diversos

Duetos

Maria Bethânia (“Eu Que Não Sei Quase Nada do Mar”); Angela Roro (“Homens e Mulheres”); Seu Jorge (“Tá Rindo, É?”); Roberta Sá (“Milhares de Sambas”); Luiz Melodia (“Cabide”); Gilberto Gil (“Torpedo”); Maria Gadú (“Mais Que a Mim”); Chiara Civello (“Resta”); Zizi Possi (“Ruas de Outono”); Antônio Villeroy (“Heroína e Vilã”); Esperanza Spalding, voz e baixo, e Daniel Jobim ao piano (“Traição”). Extra: John Legend (“Entreolhares”).

Sozinha

“10 Minutos” e “8 Histórias”


Serviço


Ana Carolina + 1 – CD (R$ 19,90) e DVD (R$ 34,90).



Fonte: Gazeta do Povo



segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Ana Carolina grava música com Roberta Sá

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Ana Carolina e Roberta Sá gravaram no sítio Taquara, no Alto da Boa Vista, na gravação de 9 + 1, o projeto de duetos com que Ana festeja seus dez anos de carreira fonográfica.


Nas lojas no início de dezembro nos formatos de CD e DVD, editados dentro da série Multishow Registro, 9 + 1 chega ao mercado apenas quatro meses depois do lançamento do disco de estúdio N9ve.


Além de Roberta Sá, Ana canta com Seu Jorge (o samba Tá Rindo, É?), Maria Bethânia, Gilberto Gil (o samba Torpedo), Maria Gadú (o inédito blues Mais que a mim) e a italiana Chiara Civello (a balada Resta). Monique Gardenberg dirigiu o registro.


Fonte: Terra música

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Ana Carolina imprime sobriedade a Dois Quartos

No último sábado, a capital pernambucana recebeu o novo show da cantora Ana Carolina. Dois quartos, sob a direção de Monique Gardenberg, levou muito mais de dez mil pessoas para a casa de shows Chevrolet Hall, em Olinda. Pista e camarotes lotados, o show só começou depois de uma óbvia mesmo assim empolgante apresentação da banda Nós 4. Ana Carolina surgiu por entre uma cortina que cobria todo fundo do palco, feita de objetos/luzes cintilantes, como um céu de estrelas (não estava brega), vestida com seu costumeiro terno preto - o que dá ainda mais sobriedade e solenidade ao seu estilo - empunhando sua guitarra. Dando a entender que o destaque naquela noite seriam as canções, ela destilou as mais novas deste último CD. A platéia mostrou estar familiarizada com a produção recente, mas nada comparado ao coro nas mais antigas.


A intenção era evocar de imediato o tom mais minimalista do novo álbum, mas não há como dar este clima, estando ela numa das maiores casas de show da cidade, e com uma platéia histérica. Aliás, tem sido assim na sua passagem por outras capitais. Predominantemente feminino, Ana Carolina é ovacionada por seu público de uma maneira que nunca mais havia sido visto deste Marina Lima ou Cássia Eller. Com a diferença de não conseguir ser suave e sedutora como a primeira, muito menos escrachada e irreverente como a segunda. Ana é mais pesadona, densa, com sua voz grave e macia e seu rosto na maioria das vezes sem sorrisos. Depois de ter assumido a bissexualidade, Ana Carolina teve os olhares ainda mais atraídos para o novo show, pois que as músicas eram mais declaradamente lésbicas e, além disso, teria um certo vídeo com cenas de sadomasoquismo ilustrando uma das canções, justamente a que fala ter comido a Madona (assim, como um "n", não a Madonna megastar). Risível o tal filminho, com imagens toscas e antigas de mulheres se insinuando uma para as outras, que não chegam aos pés de uma cena entre casais que se curtem em plena novela das oito.


O show durou pouco mais de uma hora e meia, e Ana Carolina marcou território ao imprimir seu novo estilo, sem fazer tantas concessões ao passado. Não poderia deixar de cantar hits como Confesso, Nua, Encostar na tua e Pra rua me levar, esta última feita para Bethânia. É isso aí, que gravou com seu Jorge, canta sozinha ao piano. Talvez a mais tocante do seu repertório até hoje - apesar de já ter sido exaustivamente executada - Quem de nós dois - recebe um arranjo diferente, o que confunde o público, que atropela Ana Carolina e canta sem prestar atenção ao andamento reformulado. O intimismo e sofisticação dos arranjos talvez não tenham sido tão valorizados desta vez (quem sabe o próximo não seja num teatro), afinal para a platéia mais interessada, somente ela interessava.


Fonte: Diário de Pernambuco