sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

A Unha e o Esmalte

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a unha e o esmalte-correio_brazili


Fonte: Correio Brasiliense

sexta-feira, 7 de julho de 2006

Na voz de Ana

A cantora mineira Ana Carolina chega à Fortaleza neste sábado (8), à noite, no Siará Hall, para encerrar a turnê Estampado - Um Instante que não Pára, com canções do terceiro CD Estampado. No palco, a cantora é dirigida por Enrique Diaz, trazendo elementos novos como projeções e apresentando uma banda que lhe acompanha há dois anos


Um instante que não pára
ana_carolina2Ela abocanhou os troféus de melhor cantora e melhor CD (Ana Carolina & Seu Jorge) no Prêmio Multishow 2006, está confirmada como a nova debatedora do programa Saia Justa no GNT, a partir de agosto, e prepara o quinto CD da carreira com previsão de lançamento para novembro. A cantora e compositora mineira Ana Carolina dá provas de que ultrapassou a armadilha de um grande hit logo no início da carreira, depois do estouro da música Garganta (Totonho Villeroy), do CD de estréia Ana Carolina, (BMG/1999), da trilha da novela global Andando nas Nuvens, além das comparações com Cássia Eller e Zélia Duncan.

De lá para cá, a cantora lançou Ana Rita Joana Iracema e Carolina (2001), Estampado (2003) e o já citado Ana Carolina & Seu Jorge (2005). Estes dois últimos renderam ainda três DVDs. Hoje Ana Carolina soma mais de 1.200.000 discos vendidos e prestígio entre a cúpula da MPB, em parcerias com Chico Buarque e João Bosco e gravação na voz de Maria Bethânia (Pra rua me levar, no disco Maricotinha).


A mineira de Juiz de Fora chega à Fortaleza neste sábado (8), à noite, no Siará Hall, para encerrar a turnê Estampado - Um Instante que não Pára, com canções do terceiro CD Estampado. Em estúdio, gravando o seu próximo CD, ainda sem título e a ser lançado no próximo novembro, Ana Carolina não concedeu entrevista para este show. No palco, a cantora é dirigida por Enrique Diaz, trazendo elementos novos como projeções e apresentando uma banda que lhe acompanha há dois anos em turnê pelo Brasil e Estados Unidos.


Para levar o repertório ao palco, Ana, que assina a direção musical do show junto do seu parceiro Dunga (baixo), cercou-se de mais cinco músicos: Cesinha (bateria), Enio Taquari (percussão), Vinícius Rosa (guitarra), Carlos Trilha (teclados) e Lui Coimbra (cello). Os músicos exploram o jogo de contrastes que marca Ana, a mistura de sons eletrônicos com cordas, de delicadeza com força e de sofisticação com simplicidade.


A marca registrada de Ana - o pandeiro, desta vez, ganhou um destaque na versão para o show da música Vox Populi, onde ela coloca Marcelo Costa, Leonardo Reis, Lui Coimbra e Dunga tocando pandeiro junto com ela. Destaca-se também 2 Bicudos, onde Marcelo Costa e Leonardo Reis tocam cajon com direção de movimento de Kike Diaz.


Desta vez, Ana canta, toca violão de cordas de aço e nylon, guitarra e pandeiro e traz para o público 20 músicas, entre elas, muitas que foram sucessos em seus discos anteriores e algumas que ganham, agora, novos arranjos. Garganta terá o violoncelo de Lui Coimbra que tocará, pela primeira vez, seu próprio arranjo ao vivo, e Quem de nós dois será com três violões, violoncelo e percussão. E, ainda, Pra Terminar e Ela é bamba. Mas a maior parte do show traz canções do CD Estampado: Vestido Estampado, Encostar na Tua, Elevador, Hoje eu tô sozinha e Bicudos, além de Pra rua me levar interpretada por Ana com voz e piano.


Com Vestido Estampado, a cantora faz uma homenagem aos sambistas antigos, quando faz uma versão com voz, violoncelo e isqueiro (a caixa de fósforo dos dias de hoje). Desta vez, haverá um único texto da poeta Stella do Patrocínio, uma louca que vivia num hospício. O cenário de Marimba, que transforma o palco em uma caixa, valoriza a idéia do Estampado quando aposta em uma grande tela ao fundo com uma textura de lona de caminhão usada, remendada e com várias cortinas de voal.



SERVIÇO
Estampado - O Instante que não Pára - show da cantora e compositora Ana Carolina. Sábado (8), a partir das 22 horas, no Siará Hall (Avenida Washington Soares, 3199 - Édson Queiroz). Ingressos de pista à venda nas lojas Bunnys e de camarote no Siará Hall. Preços: R$ 25,00 (primeiro lote), R$ 70,00 (camarotes inferiores) e R$ 60,00 (camarotes superiores). Informações: 3230 1917.

Fãs em ansiedade total
Os colegas de trabalho de Rômulo Jácome de Mesquita, 29 anos, já não aguentam mais. Esta semana ele não pára de escutar as mesmíssimas músicas. Funcionário do Departamento de Engenharia de Transportes da Universidade Federal do Ceará, Rômulo deixou de lado os CDs de Marisa Monte e Adriana Calcanhoto para render homenagem a sua diva maior: Ana Carolina. Tudo porque é chegada a hora de ver (e ouvir) a cantora e compositora mineira de MPB ao vivo. Ela sobe ao palco do Siará Hall, amanhã à noite, no show Estampado o Instante que não Pára, com músicas do DVD homônimo lançado em 2004 e do CD Estampado de 2003. "O povo do meu trabalho diz que não vê a hora de passar esse show", ri. "Eu tô um pouco ansioso. É o show que eu vou conhecer todas as músicas. Pretendo cantar muito", promete o fã.

Para o estudante Junior Holanda, 19 anos, morador da Parquelândia, essa tal ansiedade é ainda maior. "Eu sou fã desesperado. Escuto o CD milhões de vezes como se fosse a primeira vez", admite sem acanhamento. Associado do fã-clube Papel Fuleiro, Junior acompanha há dois anos - quase diariamente - o que acontece na carreira da cantora. E, de quebra, relaciona-se com outros fãs pela Internet, no site de relacionamento Orkut (a principal comunidade, "Ana Carolina", já soma 339.736 participantes). A paixão é tanta que o estudante deciciu ter aulas de violão para tocar os sucessos da cantora. "Comecei totalmente influencidado por ela. Isso acontece muito com muitos fãs dela", explica.


Fã incondicional da persona e da artista, Junior aprova a postura da cantora ao assumir publicamente a bissexualidade. "Ela ajudou a quebrar um tabu de muitos jovens que são bissexuais e tinham medo de se assumir, e, como artista, ela é maravilhosa", opina. Ávido por um pedacinho de Ana Carolina, seja por foto ou autógrafo, o fã ainda planeja acompanhar a chegada da cantora ao aeroporto. "Eu ainda não sei direito o horário, ainda tô tentando confirmar, mas, se for necessário, eu fico de plantão lá", diz cheio de disposição.



Isso é que é sorte!
Para quem é fã de carteirinha, pegar um autógrafo e tirar uma foto ao lado do ídolo já é um momento de glória. Agora imagine ser homenageada por ele. A carioca Carolina Glauco, 25 anos, estudante de Direito, teve essa sorte (ou mérito mesmo). Participou da gravação do DVD Estampado, de Ana Carolina, em 2003, no Largo da Carioca, no Rio de Janeiro, em show em praça pública. Coordenadora do fã-clube Papel Fuleiro, fundado há cinco anos e que reúne cerca de 25 mil associados em todo o Brasil, ela e a coordenadora de outro clube, o Avesso, foram homenageadas pela cantora. O DVD ainda contou com gravação de depoimento e cenas do dia-a-dia da fã carioca na sua casa. "Foi meio surpesa, não esperava até porque poderiam ser outras pessoas do fã clube. E rolou né? Foi emociante", conta por telefone do Rio de janeiro à reportagem de O POVO. No dia da gravação, a fã chegou ao Largo da Carioca às sete horas da manhã e passou o dia inteiro lá, com sol a pino. Segundo ela, foi bem cansativo e não houve tempo para se aproximar e conversar com Ana Carolina, por conta da correria. Mas, é lógico, a experiência valeu a pena. "Nunca vou esquecer", diz.

À flor da pele
"É o primeiro show dela que vou assitir. Espero que ela coloque no show a música do projeto dela com seu Jorge, aquela musica É isso aí, que tá mais popularizada, as outras mais antigas como Nada pra mim, são músicas muito bonitas. Também tem uma música dela que eu gosto muito é Vox Populi, a letra dela é muito legal, do álbum Ana Carolina. O público dela é do pessoal que gosta de MPB. É um show mais selecionado. As músicas dela não são todas tão conhecidas, como o dos outros shows que vão ter por lá (Siará Hall), como O Rappa e um pagode que vai ter. Não é todo mundo que conhece o álbum todo, conhece mais Garganta, o que tem em música de novela. Mas ela tem músicas incríveis"
Ticianny Oliveira, 24, gerente dos Correios, moradora da Barra do Ceará

"Quando começou a tocar as músicas na novela, aquela Nada Pra mim, foi que eu comecei a gostar do som, e procurei saber quem era a cantora. Isso já tem uns cinco ou seis anos. Tem bastante tempo que eu acompanho a carreira dela. É a primeira vez que eu vou no show dela, todas as vezes que ela veio eu não tava na cidade, daí, dessa vez coincidiu, finalmente. Eu espero que ela cante músicas novas, que ela fez nessa parceira com o seu jorge, por que as mais antigas são mais repetidas. Espero que ela leia alguma coisa interessante, ela sempre lê nos shows uns textos, incrementa bastante o show, fica mais interessante ainda. Eu gosto demais de Sinais de fogo, muito legal, animada, espero que ela cante. Anima mais quando ela canta uma música que você gosta mais, você fica mais empolgada no show"
Karyne Rodrigues, 21, universitária Direito, moradora da Aldeota

Fonte: O povo online

domingo, 2 de julho de 2006

Ana Carolina em Fortaleza

ana_carolinaA cantora Ana Carolina faz o primeiro show nacional das férias, no próximo sábado no Siará Hall. Já no quesito festa, a dica é curtir todos os beats eletrônicos da primeira prévia do Ceará Music na FW/Eletronic, sexta, no Mucuripe. A festa traz os DJs Marky, Chris DB, Sub6 , LuiJ, Snoop & Xis, Leozinho, além da irreverente banda Montage. Informações: (85) 3230.1917



Fonte: Diário do Nordeste

quarta-feira, 17 de maio de 2006

Ana Carolina brilha no Prêmio Multishow de Música 2006

A cantora Ana Carolina foi o grande destaque da 13ª edição do Prêmio Multishow de Música Brasileira, vencendo na categoria Cantora e CD, com o álbum Ana Carolina & Seu Jorge.


A cantora Ana Carolina foi o grande destaque da 13ª edição do Prêmio Multishow de Música Brasileira, entregue na noite desta terça-feira no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Ela venceu na categoria Cantora e CD, com o álbum Ana Carolina & Seu Jorge.


Durante a cerimônia, houve um manifesto-surpresa protagonizado pelo rapper Marcelo D2. Ele cantou Meu Samba é Assim vestido de piloto da Varig, enquanto sua banda se vestia de comissários de bordo.


A premiação foi encerrada com um show de Zeca Pagodinho. O sambista, que recebeu uma homenagem especial, dividiu o palco com Arlindo Cruz, Dudu Nobre e Beth Carvalho.


O Prêmio Multishow é escolhido pelo publico, em votação direta. Neste ano, a festa teve como tema a fusão de ritmos no brasil, chamada de "hip-hop-samba-pop".




Confira a lista completa de vencedores:
Cantora: Ana Carolina
Cantor: Dinho Ouro Preto
Grupo: J. Quest
CD: Ana Carolina & Seu Jorge
Música: Ai Ai Ai (Vanessa da Mata)
Revelação: Marjore Estiano
Clipe: Memórias (Pitty)
Instrumentista: Rodrigo Amarante (Los Hermanos)
DVD: O Rappa Acústico
Show: Ivete Sangalo
Homenagem especial: Zeca Pagodinho

Fonte: Music Online

sexta-feira, 7 de abril de 2006

Ana Carolina na festa de inauguração da casa de Alcione

A cantora Alcione fez uma festa na última quarta-feira, dia 5, para inaugurar sua nova casa, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. O rega-bofe foi bem movimentado, e contou com a presença de artistas de todas as áreas, como samba, teatro e MPB.


Miguel Falabella, Renata Sorrah e Maria Bethânia eram alguns dos mais animados. Depois de se deliciar com algumas guloseimas, o trio, ainda na mesa, bateu um longo papo e juntos deram boas gargalhadas.


ana_carolina7Taís Araújo, Zeca Pagodinho, Lega Nagle, Antônio Pitanga e Sandra de Sá também passaram pelo local. O ponto alto da festa, no entanto, foi a performance feita pela cantora Ana Carolina, em parceria com a poetisa Elisa Lucinda. As duas encerraram a noite recitando poesias.


Lenine, Jorge Aragão, Lúcia Veríssimo e Elba Ramalho também estiveram por lá.



Fonte: O Fuxico

terça-feira, 20 de dezembro de 2005

"Sou bi e daí ?"

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Na semana passada, a cantora Ana Carolina deu uma entrevista a VEJA que contém uma confissão pessoal e ao mesmo tempo é o reflexo de uma mudança e tanto na forma como os jovens brasileiros encaram a sexualidade. Ana Carolina falou sem meias palavras sobre suas preferências. "Sou bissexual", disse ela. "Acho natural gostar de homens e mulheres." O que chama atenção é que ela trata do assunto com leveza. E, é importante frisar, sem ter a mínima intenção de fazer proselitismo em favor de causas políticas. "Sou contra essa postura de levantar bandeiras para defender o homossexualismo, pois fica parecendo que ser gay é uma doença", diz.





[caption id="attachment_4210" align="aligncenter" width="340" caption=""Acho engraçado quando alguém chega a meu camarim e diz: 'Que coragem a sua de cantar Eu gosto de homens e de mulheres!'. Poxa, 'coragem' é uma expressão muito antiquada nessa área""]"Acho engraçado quando alguém chega a meu camarim e diz: 'Que coragem a sua de cantar Eu gosto de homens e de mulheres!'. Poxa, 'coragem' é uma expressão muito antiquada nessa área"[/caption]

Ana Carolina é hoje uma das artistas que mais vendem discos no Brasil. Desde 1999 ela lançou quatro CDs, que ultrapassaram a marca de 1,5 milhão de cópias vendidas. Somente neste ano foram 800 000 unidades, mais da metade de toda a carreira. Seu mais recente lançamento, Ana & Jorge, feito em parceria com o cantor carioca Seu Jorge, atingiu a vendagem de 125 000 discos em apenas duas semanas. Não é exagero dizer que 2005 foi seu ano de ouro – e a naturalidade com que expõe sua sexualidade só reforçou seu carisma.


Nascida em Juiz de Fora, Ana Carolina vem de uma família de músicos. Seu avô cantava em igreja e a avó era artista de rádio. "Dizem, aliás, que ela teve um affair com o forrozeiro Luiz Gonzaga – mas não me pergunte se foi antes ou depois de conhecer meu avô", conta. Ana Carolina é autodidata: aprendeu a tocar violão, guitarra e pandeiro sozinha. Hoje em dia, diz que domina a "matemática da música", embora ainda não saiba ler partituras. A cantora lembra que na adolescência, ao mesmo tempo em que dava os primeiros passos musicais, já demonstrava interesse por ambos os sexos. "Namorei quatro garotos, depois uma menina, em seguida outro garoto e mais tarde uma menina outra vez", diz. Aos 16 anos, ela tomou a decisão de contar para a mãe que se sentia diferente das amigas. "Fiz isso de supetão. Estávamos falando de um assunto qualquer e eu soltei a confissão, como se não fosse nada. 'Mãe, eu gosto de homens e de mulheres. Dá para a senhora me passar aquele negócio ali, por favor?" A opção da filha foi respeitada, ainda que mais tarde ela tenha enfrentado cobranças. "Tive de ser mais dura com minha mãe, para reafirmar minha condição. Mas aí ela aceitou de vez, e hoje nos damos bem", conta.




[caption id="attachment_4211" align="aligncenter" width="300" caption=""Sempre apreciei as intérpretes que botam tudo para fora ao cantar, como se fosse o últino dia de sua vida. Cantar alto me deixa excitada""]ana_carolina_veja[/caption]


Ana Carolina começou da mesma forma que tantos artistas anônimos: cantava em barzinhos. Seu repertório tinha canções de Edu Lobo e Chico Buarque, além de músicas próprias. "O barzinho é uma escola maravilhosa, desde que você não cante apenas sucessos que tocam na rádio, imitando as versões originais. Desse jeito, você nunca encontra a própria personalidade." Ana Carolina ainda era desconhecida quando encontrou uma figura que marcaria sua carreira: a cantora Cássia Eller. "Quando Cássia foi a um show meu, eu me senti como se tivesse ganho a Cruz de Malta", diz. As duas ficaram amigas e, depois da morte de Cássia, Ana Carolina herdou parte de seus fãs.




[caption id="attachment_4212" align="aligncenter" width="200" caption="Ana Carolina descobriu que era bissexual na adolescência. Quando tinha 16 anos, ela decidiu contar à mãe. "Gosto de homens e de mulheres. Dá para pegar aquele negócio ali, por favor?" A cantora, no entanto, não descarta a idéia de um dia se apaixonar por um homem. "Se isso acontecer, caso de véu e de grinalda, e ninguém irá me impedir." "]ana_carolina7[/caption]

Atitudes como a de Ana Carolina atraem dois tipos de oposição. Sua maneira de falar de sexo parece ultrajante para os conservadores, mas também incomoda muitos homossexuais aguerridos, que gostariam de vê-la empunhando a bandeira do arco-íris. Ana Carolina pertence a uma era pós-engajamento. Parte da militância não se conforma com suas negativas a se apresentar na Parada Gay paulistana ou em casas noturnas voltadas a esse público. "Acho que passeatas e discursos no estilo 'nós, os homossexuais' só alimentam uma visão estereotipada", diz. Inspirada por autoras como a americana Camille Paglia, que admira por suas polêmicas no âmbito do feminismo e da cultura gay ("O que mais me incomodou num assalto por que passei foi levarem por acaso um livro dela", brinca), a cantora não quer ser aprisionada num nicho. "Posso até estar saindo com uma mulher, mas se eu me apaixonar por um homem e decidir casar com ele na igreja, de véu e grinalda, ninguém vai impedir", diz.


As atitudes de aceitação ou rejeição social da homossexualidade variaram ao longo da história. Na Grécia e na Roma antigas, era um comportamento socialmente aceitável, especialmente quando envolvia um homem mais velho e um adolescente. A religião judaico-cristã, porém, ergueu pesadas interdições. São Paulo, na epístola aos Romanos, diz que os homens que "se queimam de paixão" uns pelos outros praticam "relações contra a natureza" e são, portanto, vergonhosos. A hipocrisia sempre deu um jeito de contornar as proibições. E o privilégio econômico também se traduzia em vantagens no terreno sexual: o poeta inglês Lord Byron, um ícone do romantismo gótico que gostava tanto de homens quanto de mulheres, observou que todas as perversões que eram condenadas nas classes médias eram perdoadas aos que, como ele, pertenciam à aristocracia. Mesmo assim, esperava-se que os ricos fossem discretos na prática de seus comportamentos "desviantes". O escritor e dândi irlandês Oscar Wilde foi julgado como homossexual porque seu caso com lorde Alfred Douglas se tornara tão conspícuo quanto o extravagante casaco verde-garrafa que ele adorava vestir. Condenado a dois anos de prisão e trabalhos forçados, Wilde se tornou um ícone da causa gay. A punição da homossexualidade como crime ainda vigoraria no século XX, especialmente em contextos autoritários como a Alemanha nazista e a União Soviética. A tendência, porém, foi o comportamento ser tirado do âmbito judicial para ser lançado no terreno médico – ou seja, a homossexualidade passou a ser vista como doença. Foi só nos anos 70, por exemplo, que o DSM – uma espécie de "listão" de distúrbios psíquicos, utilizado por psiquiatras no mundo todo – excluiu a homossexualidade de seu catálogo de distúrbios psicológicos.



HOMOSSEXUALISMO NA ARTE

O deus Júpiter se disfarça em mulher para seduzir a ninfa Calisto (foto), no quadro do pintor flamengo Rubens (1577-1640); o poeta Lord Byron fazia apologia da bissexualidade e dizia que o que era aceitável para a aristocracia nem sempre valia para as classes mais baixas; as esculturas romanas exaltavam a beleza do corpo masculino .


A última década viu as mudanças culturais em relação à sexualidade se acelerarem de maneira marcante. Isso é perceptível na televisão – a maior caixa de ressonância do pensamento e dos hábitos contemporâneos. A comediante americana Ellen DeGeneres assumiu sua homossexualidade em público em 1997, no auge do sucesso de uma série que estrelava, e, desde então, a TV americana vê crescer a cada ano o número de produções que abordam o universo gay. Há séries leves como Will & Grace e apimentadas como The L Word, sobre um grupo de lésbicas glamourosas de Los Angeles. No Brasil também há mais liberdade. Novelas como Mulheres Apaixonadas e Senhora do Destino trataram recentemente do lesbianismo sem causar rejeição. Nessa última, Aguinaldo Silva levou a trama até onde nenhum noveleiro havia ousado: o par formado pelas atrizes Mylla Christie e Bárbara Borges chegou a dividir a mesma cama e a adotar uma criança.


Retratar a homossexualidade, contudo, é diferente de assumi-la – mais ainda da maneira como Ana Carolina faz. O preconceito ainda é uma realidade, e as dificuldades para "sair do armário" continuam passando pelos mesmos pontos sensíveis: o medo do impacto junto à família e no trabalho. "Profissionais de qualquer tipo, mas principalmente os que lidam com o grande público, tendem a adiar a decisão de assumir para não se prejudicarem", diz Sônia Alves, diretora do instituto DataGLS, que pesquisa o público gay. "Ainda não é fácil se assumir. Se fosse realmente fácil, teríamos um monte de atrizes e cantoras se revelando homossexuais", diz o escritor e militante João Silvério Trevisan.


Para o psicólogo Ritch Savin-Williams, professor da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, já está em andamento a revolução que falta – aquela que vai substituir o escândalo em torno das diferenças sexuais por uma saudável naturalidade ou até mesmo pela indiferença. Savin-Williams, que pesquisa há mais de vinte anos as implicações sociais do comportamento gay, acaba de publicar o livro The New Gay Teenager (O Novo Adolescente Gay), no qual defende a tese de que os jovens contemporâneos estão "dando um fim à era da identidade sexual". Em suas palavras, uma parcela considerável dos adolescentes de hoje em dia "não se sente embaraçada pela ambigüidade sexual, não a considera desviante e a percebe por todos os lados". Segundo o pesquisador, o uso de categorias sexuais para separar, isolar ou discriminar estaria diminuindo de maneira acelerada. "Para muitos jovens, ser rotulado como gay já não importa muito. Os adolescentes cada vez mais redefinem, reinterpretam e renegociam sua sexualidade de tal forma que possuir uma identidade gay, lésbica ou bissexual praticamente não tem significado", disse ele a VEJA.



DA VIDA PARA A FICÇÃO

O seriado The L Word (à esq.), exibido pelo canal de TV paga Warner, fala do cotidiano de um grupo de lésbicas. À direita, Jenifer e Eleonora, o casal gay da novela Senhora do Destino, da Rede Globo: a audiência aprovou


Pesquisas recentes têm revelado mudanças importantes na maneira como os jovens vivenciam a própria sexualidade. Um levantamento recém-concluído com 10.260 homossexuais brasileiros mostra que hoje eles se assumem mais e mais cedo. Realizado por meio da internet pelo DataGLS, o censo mostra que 73% dos gays entrevistados se assumiram antes dos 24 anos. Ritch Savin-Williams apresenta dados ainda mais espantosos sobre os Estados Unidos. Ele revisou mais de uma dezena de estudos que demonstram que a idade média em que as pessoas se dão conta de desejos homossexuais (ou os assumem para si mesmas) caiu nas últimas décadas. Ela era de 14 anos para meninos e 17 anos para meninas, na década de 60. Nos anos 90, passou a ser de apenas 10 anos para garotos e 12 para garotas.


Neste ano, a MTV brasileira patrocinou uma pesquisa sobre o universo jovem que também traz informações curiosas. Dos 2.359 moradores de sete capitais brasileiras com idade entre 15 e 30 anos ouvidos durante a enquete, 40% disseram se incomodar com a visão de dois homens se beijando. Caso sejam duas mulheres, o índice é de 31%. São números consideráveis, mas não expressam uma maioria. A abertura para experimentações tornou-se um traço marcante do comportamento jovem – e aí se incluem tanto a experimentação heterossexual, como no hábito de ficar com diversas pessoas durante uma balada, quanto a homossexual. Uma das teses levantadas pela pesquisa da MTV é a de que existe um aumento da tolerância, mesmo que não da aceitação, relativamente aos gays. Outros entrevistados chegaram a cogitar até mesmo da existência de uma "moda" em torno do comportamento gay ou, ao menos, ambíguo. "Antigamente você podia até ter vontade, mas não chegava a fazer. O que acontece agora é que há muita abertura para experiências", disse uma jovem de classe média de Salvador. Transformações marcantes seriam visíveis entre as meninas. Garotas de 13 a 17 anos, por exemplo, têm "testado" com freqüência o beijo entre amigas. Como observam os psicólogos – inclusive para tranqüilizar pais preocupados –, essa atitude não significa que as meninas sejam ou venham a ser necessariamente lésbicas. Beijar uma amiga é mais um indício de liberdade, de ausência de preconceitos e do desejo de não se deixar capturar por nenhum rótulo.


"As mudanças em direção a uma maior aceitação da diversidade estão em andamento. Não há volta para isso", diz Savin-Williams. Segundo ele, as atitudes negativas em relação à homossexualidade ainda terão eco por bastante tempo, mas são contrabalançadas pela percepção de que é cada vez mais custoso e fútil manter de pé velhas barreiras. Ana Carolina é ícone de uma geração que está deixando para trás o peso de um preconceito ancestral. Obviamente, constatar isso, e compreender essa nova visão naturalizada da sexualidade, não equivale a incentivar nem muito menos a convidar todos a uma vida gay. Como diria o intelectual brasileiro Roberto Campos, parodiando os lordes ingleses: "Agora que tornamos a homossexualidade aceitável, não precisamos dar o último passo e torná-la obrigatória".


Fonte: Veja online

domingo, 27 de novembro de 2005

Duas versões para a mesma canção

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Imagine a situação seguinte. Ana Carolina aproveita um dia do outono paulistano para ir ao cinema. O filme escolhido foi o belo “Closer — Perto demais”, do diretor Mike Nichols, uma história de amor, de relações, traições entre dois casais formados por Julia Roberts, Jude Law, Natalie Portman e Clive Owen. A cantora se encanta com a música e resolve fazer uma versão para “The blower’s daughter”, do badalado Damien Rice. A uns 400 quilômetros dali, numa salinha do Leblon, no Rio de Janeiro, Simone tem a mesma idéia e encomenda para a amiga Zélia Duncan uma versão da mesma canção. E o mais curioso: as duas chegam ao mercado no mesmo momento.


A versão de Zélia, “Então me diz”, faz sucesso na novela “Belíssima”, da Rede Globo, embalando romance da personagem Julia, vivida por Glória Pires, e André, por Marcello Antony. A de Ana Carolina, “É isso ai”, integrará o álbum que ela lança mês que vem juntamente com Seu Jorge e está estourada nas rádios.


Nenhuma das duas cantoras reivindica a originalidade da idéia, que, pensando bem, não chega a ser tão original assim; mas esta é, possivelmente, a primeira vez que duas versões da mesma música chegam ao mesmo tempo ao mercado.


Nem Mariozinho Rocha tinha visto algo parecido. Esta coincidência surpreende até mesmo o poderoso diretor musical da Rede Globo, Mariozinho Rocha, que se encantou, assim como o autor Silvio de Abreu, quando recebeu a versão de Zélia Duncan. Ele diz que em toda a sua vivência na televisão nunca tinha visto algo parecido. — É muito raro quando duas cantoras gravam a mesma canção, mas isso ainda acontece. Agora, duas versões diferentes da mesma música eu nunca vi. Aliás, eu nunca tinha visto algum artista autorizar a gravação de duas letras diferentes — conta.


Mariozinho diz que desconhecia a versão de Ana Carolina, por isso não houve escolha entre as duas músicas. — A da Ana Carolina chegou depois às minhas mãos e, mesmo que eu quisesse, não seria ético deixar de gravar a da Simone, que já estava escolhida. Gosto muito do resultado das duas. A da Simone, mais romântica; a da Ana, mais vigorosa — define. — Mas eu realmente não imaginava.


A empresária da Ana Carolina disse que ela não iria gravar este ano, tanto que lançamos, pela Som Livre, uma coletânea dela na série Perfil. Acredito em uma grande coincidência, pois as cantoras envolvidas são muito cuidadosas com suas carreiras.


E Ana Carolina não iria mesmo gravar este ano. Mas, ao receber um convite de Seu Jorge para um show em parceria no projeto Tom Acústico, da casa Tom Brasil, em São Paulo, aceitou na hora. O resultado foi a gravação de um CD e DVD. E lá estava a versão da música de Damien Rice... — Vi o filme e fiz essa versão no inicio do ano. Acho o Damien Rice um cara incrível. Mostrei-a para o Jorge, que gostou, e a incluímos no roteiro. Gravamos os shows, e a música foi um sucesso espontâneo. Fui saber da versão do disco da Simone pouco tempo antes de ela entrar na novela — diz. — Foi realmente uma coincidência. Nunca vivi algo parecido. Mas também não vejo problema. A música é linda e quem ganha é o público.


Simone conta que, poucos dias depois de ver o filme, já com a idéia na cabeça, recebeu a visita de Zélia e pediu uma letra. — Na mesma hora Zélia começou a escrever os primeiros versos. Ela é de uma criatividade impressionante. Nunca vi algo parecido acontecer, mas o quem eu posso fazer? Fiquei e ainda estou chateada, não com a Ana Carolina, claro, já que acho mesmo que foi uma coincidência, mas com a situação — explica. — A letra da Zélia é perfeita. Procuramos respeitar a melodia, traduzir o sentimento do autor.


Simone não cantou a música na gravação do CD e DVD, também em agosto, ao vivo, no Teatro João Caetano, mas a incluiu como faixa-bônus. Zélia acha que houve descaso de Damien Rice . Zélia Duncan também põe panos quentes na história. Mas não perdoa o autor, Damien Rice, que, para ela, agiu com um certo descaso. — Fiz a música com o maior carinho e ficamos um tempão esperando a autorização do autor, que mostrou um descaso com sua música e com um país que certamente não lhe interessa. Acho também que foi obra do acaso, uma enorme coincidência. Quanto a duas pessoas gravarem a mesma música, não acho nada demais, cada um faz sua leitura — explica. — Aliás, a melhor coisa da história toda é ver que as pessoas têm muitas opções.


As versões, assim como as interpretações, são radicalmente diferentes. O curioso é que as três, Ana Carolina, Simone e Zélia, fizeram muito sucesso com versões. Ana Carolina estourou nacionalmente com “Quem de nós dois”, versão para “La mia storia tra le dita”, do italiano Gianluca Grignani, do disco “Ana Rita Joana Iracema e Carolina”. Zélia tinha muitos anos de estrada em 1995, quando “Catedral”, letra sua e de Christian Oyens para “Cathedral song”, de Tanita Tikaran, tornou-a popular. Já Simone tem em seu currículo, entre outras, “Então é Natal”, sobre “Happy xmas (War is over)”, de John Lennon e Yoko Ono.


Fonte: o Globo