domingo, 5 de março de 2000

Ana Carolina conduz Marina de volta ao palco

Absoluta, fabulosa, piramidal e outros adjetivos foram as palavras de ordem no ATL Hall na noite de sábado, quando a cantora Ana Carolina se apresentou para cerca de quatro mil pessoas. Além de cantar sucessos como "Garganta", "Armazém" e "Retrato em branco e preto", esta de Tom Jobim e Chico Buarque, Ana recebeu a visita de Marina Lima, em boa forma em sua primeira apresentação após seis anos longe dos palcos.


Ana começou sozinha com a guitarra, em sua versão próxima do blues para o clássico de Tom e Chico. O cenário, de Luiz Stein, era um armazém estilizado. Logo entrou a afiada banda que acompanha a cantora, em que se destacam a percussão de Marco Lobo e a bateria e Mac William. Na hora de cantar "Armazém", Ana se fez acompanhar inicialmente do pandeiro (mostrando bom domínio do instrumento) e depois recebeu o reforço de cinco percussionistas, entre eles Marcos Suzano e Jovi Joviniano.


O show chegava ao fim quando ela anunciou a "maior compositora do Brasil". Parte da platéia se levantou para receber Marina, bem-humorada e toda de preto. As duas uniram as vozes em três canções, quando se pôde perceber que Marina está curada dos problemas de voz. Não que se compare à força dos pulmões ou ao alcance vocal de Ana Carolina: ela voltou a ter a voz roufenha que é sua marca registrada. A reunião acabou com "Deixa estar", apenas com vozes e teclados. Para encerrar, Ana cantou "Garganta" e voltou para o bis com uma versão voz-e-violão de "Vaca profana", de Caetano.


Fonte: Bernardo Araujo /O Globo

quarta-feira, 26 de janeiro de 2000

Ana Carolina não é Cássia Eller

Com sua voz popularizada na novela Andando nas Nuvens, Ana Carolina sobe hoje ao palco do Ballroom disposta a afastar de vez o fantasma de Cássia Eller, com quem vem sendo comparada pelos timbres vocais semelhantes. Nascida em Juiz de Fora há 24 anos, Ana mostra aos cariocas o repertório de seu primeiro e recém-lançado CD. Garganta, que toca na trilha da novela como tema da personagem Júlia Montana (Débora Bloch), é o destaque, mas o disco se sustenta e Ana, além de tudo, é compositora interessante.


O trabalho de Ana Carolina joga luz sobre um ótimo e ainda desconhecido compositor gaúcho, Totonho Villeroy, autor de Garganta e da música que abre o disco, Tô Saindo. Do repertório autoral da jovem artista, o destaque fica com Armazém, música em que ela toca pandeiro.


Ana apresenta também algumas regravações do repertório de Lulu Santos (Tudo Bem, canção do disco Tudo Azul, de 1984) e Chico Buarque (Beatriz e Retrato em Preto e Branco, parcerias com Edu Lobo e Tom Jobim, respectivamente). Mas sua produção autoral é superior.


Fonte: Mauro Ferreira - Jornal O Dia


quinta-feira, 6 de janeiro de 2000

Revelações da Ana Carolina

revelações_da_anaQuando surgiu com o seu primeiro CD, em junho de 99, o que os jornalistas perguntavam era "quem é essa moça e de onde veio?". Recebi o primeiro CD da cantora, sendo informado que ela era novata e que vinha de Juiz de Fora.


Como sempre surge gente nova querendo entrar no mundo da música, o negócio é ouvir o disco com atenção para ver do que se trata. Felizmente aconteceu algo que não é freqüente e que transforma o trabalho cotidiano de ouvir novos CDs em algo realmente gratificante. Percebi que o CD de Ana Carolina é daqueles que pede para ser tocado mais vezes – daqueles que entram para a lista dos favoritos.



OS ATRIBUTOS DE ANA CAROLINA


Depois da grata e surpreendente qualidade musical revelada no CD, resta a satisfação de trocar idéias entusiasmadas com alguns colegas jornalistas sobre a moça. Que ela tem uma voz bonita, grave e muito forte e com recursos técnicos muito desenvolvidos, com grande alcance, improviso de vocalises etc. Que o violão dela e as guitarras são tocados de forma impressionante – assim como a voz, as cordas tem muita força, clareza e muito ritmo. Que ela toca pandeiro de forma surpreendente. E que as primeiras composições apresentadas não parecem coisa de novata. São músicas já maduras, em letras, arranjos, harmonias... E que sonoridade.



UMA ARTISTA EM PERSPECTIVA


Depois da surpresa e das devidas apresentações, surge a oportunidade do breve encontro com Ana Carolina para falarmos sobre tudo, ou quase tudo, em sua música, sua carreira, sua história, seu primeiro CD e outros assuntos que surgem independente do que se pretende perguntar – dos rumos da conversa. O resultado é muito interessante. Com o bate-papo, o disco ganha mais vida – ganha muita personalidade e indícios de uma carreira promissora.



ORIGEM DA CARREIRA


UpToDate – Você é de Juiz de Fora, Minas Gerais?


Ana Carolina – "Sim."


UpToDate – Como começou o teu envolvimento com a música?


Ana Carolina – "Eu tenho seis anos de carreira. São seis anos que podem parecer pouco mas, enfim, eu já fiz coisas do arco da velha."


UpToDate – Tipo o que, por exemplo?


Ana – "Ah, tipo coisas curiosas... Eu já abri o show do Ray Conniff (1916-) e orquestra, em Minas Gerais. É um convite que você não pode deixar de fazer. Já toquei em lugares para quatro pessoas, e em lugares para três mil pessoas. Em coisas que no caminho você vai aprendendo a se impor, postura de palco. Eu já fiquei em hotéis maravilhosos, mas já fiquei em lugares que só tinha uma rede para dormir. Até um certo tempo da carreira, fica tudo muito inconstante."


UpToDate – Você começou a se apresentar em Juiz de Fora?


Ana – "Comecei em Juiz de Fora – daí apareceram convites para ir rodando toda a região de Belo Horizonte e Minas, região serrana, Itaipabararas, Búzios, Cabo Frio – fiz bastantes shows. Até ir para o Rio e fazer um show no Hipódromo e depois no Mistura Fina, onde estava lá a filha do Vinícius de Moraes, a Luciana de Moraes. Ela disse "olha, eu não sou caça-talento, mas eu queria saber se você tinha alguma demo". Eu tinha uma demo com voz e violão, umas sete músicas – que hoje estão no meu disco. Aí, depois de quinze dias, já estava tudo certo. Eu já tinha assinado contrato com a BMG e tive uma liberdade muito grande de trabalhar no disco e atuar em todas as áreas, embora estivesse muito bem acompanhada com o produtor Nilo Romero, com grandes músicos, com Gringo Cardia fazendo a capa do CD. É preciso que num primeiro trabalho como esse, você atue e se imponha e mostre o que você realmente quer a todas as pessoas, para que o trabalho saia como você gostaria que saísse."



NASCE UMA COMPOSITORA


UpToDate – Você compôs quase todas as músicas do teu CD. Há quanto tempo você é compositora?


Ana – "Eu tinha muitas letras já prontas e algumas idéias. Mas, para uma pessoa que vinha fazendo shows como intérprete, cantando Edu Lobo, Chico Buarque, Tom Jobim – fica difícil na hora de compor. Pinta muito grilo como ‘isso não presta, não isto não está bom’ – porque o meu ponto de referência são compositores tão maravilhosos que, por complexo, eu não mostrava as minhas músicas."


UpToDate – Mas você cantava as suas músicas em shows?


Ana – "Não, nunca. Até que chegou no processo do disco e me deu uma auto-estima e fiz uma demo com algumas canções minhas. Daí eu mostrei ao Jorge Davidson e ele disse ‘muito bom, vamos colocar no disco’. E o Nilo Romero também escutou, e as pessoas foram me massageando o ego – de uma certa forma que até então eu não sentia tanta firmeza. São cinco músicas no disco. As quatro que mostrei a eles, e a última que eu fiz sozinha, acreditando já em mim como compositora foi "Armazém". É a música que eu fiz um arranjo de pandeiros e chamei o Marcos Suzano para fazer um dos pandeiros. Colocamos umas vozes de funk com embolada – eu gosto muito. Então, hoje eu acredito que sou uma compositora, cantora, intérprete – inclusive no próximo disco devo apresentar mais composições minhas."


UpToDate – Antes do teu disco, você era apenas intérprete. E com o seu disco você já aparece como compositora de potencial.


Ana – "É, as pessoas sempre se surpreendem quando descobrem isso."



O AMIGO VIOLÃO


ana_carolina_revelações2UpToDate – Com que idade você começou a tocar violão?


Ana – "Ah, isso é um fato interessante. Eu só canto porque toco. Sempre gostei mais de tocar. Até hoje, eu costumo pegar o violão em casa e tocar horas. Até que aparece alguém e diz ‘dá para você cantar alguma coisa?’."


UpToDate – Qual é o teu estilo de tocar violão? E com que idade você começou a tocar?


Ana – "Eu comecei a tocar com 11, 12 anos – mais ou menos."


UpToDate – Você fez escola?


Ana – "Não, nem para cantar. Eu sou uma autodidata, que é melhor até para você sair um pouco das formas, fica mais intuitivo, mais fácil para se compor."


UpToDate – O teu jeito de tocar violão é algo que chama muito atenção, com batidas fortes, secas, puxando bem as cordas, com batidas compassadas. Fala um pouco sobre esse jeito bem próprio de você tocar violão?


Ana – "É muito forte a minha personalidade – ela parte do instrumento, do violão. Daí também a facilidade de arranjar. Eu fiz os arranjos das doze faixas no disco porque eu toco. Eu não levei os músicos ao estúdio e começamos a gravar as músicas. Não. Nós fomos a um estúdio de ensaio, eu o Suzano, o Sacha, o Tunga – ensaiamos as músicas todas em cima do violão. Você escuta a demo e depois escuta o meu disco, você vai perceber que está todo mundo tocando aquilo que eu estou dizendo no violão."


UpToDate – Os arranjos partem do violão.


Ana – "Sim, até nas paradinhas e nos mínimos detalhes, introduções – é tudo muito calcadinho no violão. E que bom, porque o violão sempre foi muito importante para mim e para a personalidade do meu trabalho."


UpToDate – É curioso que no Brasil, um país tão rico em cantoras, tenha tão poucas que toquem violão, e toquem bem assim.


Ana – "É verdade. Mas é devido a esse tempo todo que eu venho tocando e esse gosto por violão. Quando você gosta de uma coisa, parece que fica seu. Eu gosto de me ouvir cantando com aquilo que eu faço no violão."


UpToDate – Você deixa o violão dialogar com a tua própria voz... Mas você também toca guitarra.


Ana – "Eu fiz guitarras em "Alguém Me Disse", "Retrato em Branco e Preto", "Perder Tempo Com Você" – executei algumas guitarras ali. Eu gosto muito de guitarra. Nesses cinco anos, eu venho tocando sempre sozinha. Então eu comecei tocando violão, e depois resolvi tocar violão de aço, guitarra, aprendi a tocar pandeiro – e o show foi ficando cada vez mais rico de timbres. Não dava para ficar fazendo um show inteiro só com violão de corda de nailon. Eu queria fazer uma coisa mais folk, mais agressiva. Até saiu uma crítica na Folha de S.Paulo, no Folhateen – que eu morri de rir. O jornalista falou que ‘nenhum homem no Brasil toca guitarra tão pesado’. Ele disse que eu sou como a Liz Phair, que sou super-talentosa, e que eu devo perder tempo ouvindo clássicos da música popular brasileira (rindo)."



PANDEIRO E VIOLÃO


ana_carolina_revelaçõesUpToDate – Mas você toca pandeiro muito bem também. O que o Marcos Suzano acho do teu jeito de tocar pandeiro? Porque ele é o mestre do pandeiro com workshops e tudo o mais.


Ana – "É, foi um prazer tocar com ele."


UpToDate – O Marcos Suzano é autoridade máxima em pandeiro no Brasil.


Ana – "E no mundo também. Ele faz muito workshop no Japão. O Suzano não é um mero cidadão, ele não está aí ouvindo sininho. Foi muito bacana trabalhar com ele. É um cara super-carinhoso. Eu fiz o arranjo da música e toquei o pandeiro pra ele, e ele respeitou todas as convenções. Eu humildemente pedi para ele fazer aquele funk ("Armazém"), que foi idéia minha. E ele, em momento algum, como autoridade máxima, disse alguma coisa. Eu fiquei super-lisonjeada de ter o Suzano nessa faixa. Fiquei super-feliz de tocar com ele. Espero tê-lo em todos os meus discos."


UpToDate – "E a história da música "Garganta" ter ido parar como tema da novela (1999) das 20h da TV Globo?


Ana – "Quando a demo chegou até a gravadora, eles fizeram várias cópias para o Arnaldo Antunes, para vários compositores e também para o Mariozinho Rocha, que já tinha gostado das músicas. Quando ele recebeu o CD pronto e ouviu de novo, ele achou que "Garganta" tinha tudo a ver com a personagem da Debora Bloch. E quando eu estive com ele, ele me disse que teve dificuldade em escolher as músicas. Eu fiquei muito contente porque isso era música para muita gente. Uma música minha veiculada num quarto canal de televisão do mundo. Várias pessoas me conhecem hoje pelo fato de eu ter tocado na novela. Eu não acho isso ruim, eu acho isso bom. É música para muita gente. Eu não acredito nas pessoas que querem mostrar que fizeram um disco para críticos e para formadores de opinião só, e que não tem nenhum interesse em ganhar dinheiro e vender. Dinheiro é a mola do mundo. Lógico que é tudo conseqüência, ninguém faz "disco pra vender" – vender é a conseqüência. Mas, se vender, que ótimo! Ainda mais que "Garganta" tem um quê de Nordeste, ela tem uma convenção e um improviso de voz super-louco no meio – e como é que isso foi parar numa novela? Fico contente. Modéstia à parte, eu acho uma música bacana com um arranjo bacana. E não é só coisa ruim que tem que passar na TV, coisa boa também."



BANDA E VIDEOCLIP


UpToDate – Quem são os músicos da banda que você formou?


Ana – "É o Sérgio Melo, que tocou no disco bateria; o Firmino na percussão; já com o Marcos Suzano é mais complicado por causa dos shows dele; o Renato Fonseca nos teclados; o Helder Costa na guitarra; e o Luciano Leal no baixo. Eles são muito bons. Inclusive o Helder Costa até foi citado há uns tempos atrás como um dos maiores compositores do Brasil, na opinião do Milton Nascimento. A banda é bem legal. Fomos tocar no Balroom, no Rio, São Paulo, Porto Alegre, Belo Hozironte, interior de Minas...


UpToDate – O videoclipe que você fez desse seu primeiro CD...


Ana – Foi "Garganta", que eu fiz com a Dueto. Eu acho que ficou bem legal. O VJ da MTV me perguntou qual era o pior clipe na minha opinião. Eu disse a ele que ele certamente conhecia muito mais clipes ruins do que eu mesma. Então ele me perguntou qual era o melhor clipe na minha opinião. Então eu não resisti em dizer que o meu era o melhor, isso porque eu precisava de divulgação. Mas, não sei... Ele ficou me olhando com uma cara meio indignado, provavelmente por achar que tinham clipes melhores. (risos)



INFLUÊNCIAS E PARCERIAS


UpToDate – Quais são as tuas maiores influências e fontes da música brasileira, dentre cantoras e músicos?


Ana – Eu comecei a escutar Cartola, Nelson Cavaquinho, Geraldo Pereira, clássicos da MPB... Gosto muito dos caras antigos como Evaldo Gouveia e Jair Amorim, Lamartine Babo, João do Vale ("Carcará") – acho que o movimento do Teatro Opinião, nos anos 60, foi muito bacana. Para se fazer parte da música popular brasileira é preciso ouvir Gil, Caetano, Chico Buarque, Antonio Carlos Jobim, Djavan... É preciso também saber que existe música nova na música brasileira como Lenine, Paulinho Moska, Chico César, Zeca Baleiro, Otto, Farofa Carioca... Gosto ainda de Nina Simone, Take 6, Soundgarden, Lokua Kanza... Adoro Carlinhos Brown, Sou fã incondicional. Acho muito bacana o trabalho dele. O Frejat até fez um comentário interessante sobre o Brown, de que ele ‘é um presente do Brasil para o Brasil’. Eu acho que a Maria Bethânia é uma das maiores intérpretes do mundo. Acho que o Ed Motta é um dos maiores cantores do mundo. Acho que o Brasil é muito bom pra talento e pra música. É riquíssimo o acervo de cantores impressionantes, de compositores muito bons. Até na música instrumental o Brasil é muito bom. É um dos países mais ricos em música.


UpToDate – Como estamos vivendo uma época em que as pessoas valorizam muito as parcerias e os trabalhos conjuntos, você pensa em fazer algum trabalho com algum músico específico?


Ana – Uma parceria saudável seria bem-vinda. Na hora que vier eu vou dizer ‘que bom que veio’. Mas, eu acho que neste momento é melhor ficar um pouco mais sozinha. Eu me impressionei muito com "Garganta" até porque o refrão dela parece muito comigo que é ‘eu aprendi a me virar sozinha’. E até hoje, foi muito isso na minha vida – a de me virar sozinha.



Por Walter Silva


Fonte: UpToDate

quarta-feira, 24 de novembro de 1999

Vamos faturar

Globo inova no merchandising. Videoclipes compõem a abertura da novela das 7



A novela Vila Madalena, da Rede Globo, pode não ser uma maravilha em termos de audiência, mas entra para a história por ter criado um novo tipo de merchandising. Até agora, o recurso consistia em abrir espaços nas cenas para encaixar um rótulo de cerveja, uma marca de automóvel ou a fachada de um banco. Na novela rodada em São Paulo, a emissora decidiu comercializar também a abertura e o encerramento dos capítulos. As tradicionais vinhetas em que aparecem os créditos do elenco e da equipe técnica foram acrescidas de videoclipes dos artistas que estão na trilha sonora. É uma maneira inédita de promover o CD com as músicas da novela, que é lançado pela Som Livre, empresa que pertence à emissora. Além disso, é uma forma de fazer caixa. A Globo repassou o custo dos clipes para as gravadoras. Essas, por sua vez, viram na novidade a chance que faltava para divulgar seus artistas, principalmente aqueles desconhecidos do grande público, caso da cantora Ana Carolina (Veja vídeo Clipe acima) e do grupo LS Jack.


Cada videoclipe, com duração média de um minuto, custa 30 000 reais, valor acertado em uma reunião na Associação Brasileira dos Produtores de Discos, entidade que congrega o setor fonográfico no país. A quantia estipulada equivale ao custo médio de um clipe no mercado. Ainda assim, é bem inferior ao que se paga pelo merchandising tradicional, cerca de 70 000 reais por apenas trinta segundos. Há quem veja na inovação da Globo algo semelhante ao "jabá", nome que se dá ao investimento escuso para que uma música estoure em determinadas rádios. Mas existem diferenças entre as duas práticas. A primeira é que não há nada de errado em uma gravadora pagar pela produção de um videoclipe. É dessa forma, por exemplo, que a maior parte da programação da MTV se viabiliza. Outra diferença é que, ao contrário das estações de rádio que cobram para tocar uma música, a Globo não recebe dinheiro para transformar suas vinhetas em videoclipes. Os 30 000 reais são pagos a produtoras independentes.


A idéia de introduzir videoclipes na abertura e no encerramento de uma novela já havia sido testada, de forma menos elaborada, pelo SBT. Em A Usurpadora, o cantor Paulo Ricardo aparecia interpretando a música-tema, em um clipe cedido pela gravadora Universal. O que a Globo fez foi incrementar esse procedimento, oferecendo a possibilidade a todas as gravadoras que têm canções na trilha sonora do folhetim. Na emissora, justifica-se o expediente como sendo uma inovação artística, e não comercial. "Quando eu mostrei as músicas da novela para o diretor de criação Daniel Filho, ele gostou tanto da escolha que sugeriu abrirmos espaço para os clipes", diz Mariozinho Rocha, diretor musical da Rede Globo. Antes dessa decisão, o único cantor que costumava se beneficiar de merchandising nas novelas da casa era Orlando Moraes, marido da atriz Gloria Pires. Agora, Milton Nascimento, Lenine, Pedro Luis e a Parede, Maria Bethânia, Lulu Santos e Paralamas do Sucesso vão tirar proveito de Vila Madalena. Ironicamente, nenhum deles é de São Paulo.


Fonte: Revista Veja


quinta-feira, 17 de junho de 1999

O primeiro CD

cdanacarolinaO primeiro CD de Ana Carolina, lançado pela BMG em 1999, tem composições próprias (“O avesso dos ponteiros”, "Trancado" e Tô caindo fora") e interpretações de músicas de Chico Buarque, Tom Jobim e outros artistas da MPB. “A canção tocou na hora errada” deverá ser a próxima música de trabalho da cantora e “Tô saindo” está na trilha da novela “Vila Madalena”, da TV Globo.


Ao som do violão, tocado por ela mesma e acompanhado pela banda de cinco músicos, as canções têm arranjos, hora de violoncelo, violinos, ora de pandeiro. Em “Tô Saindo”, um suingue nordestino dá o tom inicial.


Ana Carolina se diz surpresa pelo sucesso de suas músicas em novelas. “Eu não fiz um disco para tocar na novela - sem nenhum preconceito, é claro - mas é maravilhoso porque eu posso atingir muitas pessoas através da novela. Fico super contente.”



Confira os nomes das canções:








  • Tô Saindo

  • Alguém Me Disse

  • Nada Pra Mim

  • Trancado

  • Armazém

  • Garganta

  • A Canção Tocou Na Hora Errada

  • Tudo Bem




  • Agora Ou Nunca

  • O Melhor De Mim

  • Retrato Em Branco E Preto

  • Perder Tempo Com Você

  • O Avesso Dos Ponteiros

  • Beatriz

  • Tô Caindo Fora



Fonte:  Acessa. com

quarta-feira, 26 de maio de 1999

A Canção que tocou na hora certa

cantora_anacarolinaAna Carolina, 24, com cinco anos de carreira, está se destacando pela inclusão de sua gravação da música "Garganta" (Totonho Villeroy), na novela "Andando nas Nuvens" da Rede Globo. Foi essa gravação que possibilitou a Ana Carolina a revelação ao grande público, algo que ela chama de "amplificação do artista".


cd ana carolina2Enquanto a mídia impressa compara sua voz grave com a voz das consagradas cantoras Cássia Eller e Zélia Duncan, ela vai logo afirmando que em sua formação musical bebeu mesmo foi na fonte da música brasileira antiga. Segue no tom quase revoltado das canções que gravou em seu CD de estréia, que vai das inéditas de "Agora ou Nunca" de Arnaldo Antunes, "O Melhor de Mim" de Frejat em parceira com Paulinho Moska e Dulce Quental e "Perder Tempo com Você" de Alvin L., passando pelas tradicionais "Retrato em Branco e Preto"(Chico Buarque/Tom Jobim) e Beatriz (Chico Buarque/Edu Lobo), até a colagem definitiva dos azulejos do mosaico musical que sua garganta revelou.



COM VOCÊS, ANA CAROLINA.


Quais são suas influências musicais?
Sempre gostei das canções antigas de Cartola, Geraldo Pereira e Lupicínio Rodrigues. Atualmente tenho ouvido o CD do Farofa Carioca e do Otto. Gosto do Pedro Camargo Mariano e da voz de Ed Motta, como cantor. Gosto muito de Maria Bethânia, porque parece que sua interpretação é maior que a vida, mas eu procuro estar antenada com tudo que está acontecendo nessa virada de milênio, até ouvir CDs de pessoas desconhecidas.

Como surgiu a música "Garganta"?
cd ana carolinaEssa música o Totonho fez pra mim num show em Belo Horizonte. Ele estava lá assistindo e a gente não se conhecia. Ele foi escrevendo a letra durante show e no final me procurou e disse: eu fiz essa letra pra você e acho que tem tudo a ver. Na hora eu fiquei muito emocionada e dois dias depois ele me mandou a fita com letra e música e desde então não parei mais de cantar.

O que você achou sobre a escolha dessa música para tema de novela?
Achei interessante porque não é uma música que fala de amor, como é comum em tema de novela. É uma música mais revoltada.

Como o público está te recebendo depois da repercussão de sua música?
Tenho recebido muitos telefonemas e cartas de pessoas interessadas na minha música. São músicos, jovens de vinte e poucos anos, pessoas que dizem ter a cara do disco. É um público diversificado mais ou menos como o meu liqüidificador que mistura balada com um quase tango moderno, músicas inéditas com músicas como "Retrato e Branco e Preto" e "Beatriz".

Você tem algum esquema para compor?
Componho de maneira mais intuitiva do que racional, a música vem naturalmente, sem pensar. Por exemplo a música "Armazém" eu fiz só no pandeiro, à capela mesmo. Foi como aquela coisa da caixa de fósforo junto com a melodia, depois os acordes foram saindo.

Como você está sentindo sua entrada na mídia?
Bem, eu já tinha uma carreira antes e havia tocado em várias cidades. Eu ia nas rádios, as vezes gravava lá mesmo uma música em MD e a rádio veiculava na programação, enfim, as pessoas me conheciam mas não era uma coisa muito grande. Agora eu vejo que gravar com uma multinacional funciona como um amplificador. As pessoas passam a te conhecer em maiores proporções e pra mim a resposta do público está sendo muito boa.

Ana Carolina - BMG
1. Tô Saindo (Totonho Villeroy)
2. Alguém Me Disse (Evaldo Gouveia/Jair Amorim)
3. Nada Pra Mim (John)
4. Trancado (Ana Carolina)
5. Armazém (Ana Carolina)
6. Garganta (Totonho Villeroy)- Veja letra cifrada
7. A Canção Tocou na Hora Errada (Ana Carolina)
8. Tudo Bem (Lulu Santos)
9. Agora ou Nunca (Arnaldo Antunes)
10. Melhor de Mim (Frejat/Paulinho Moska/Dulce Quental)
11. Retrato em Branco e Preto (Chico Buarque/Tom Jobim)
12. Perder Tempo com Você (Alvin L.)
13. avesso dos Ponteiros (Ana Carolina)
14. Beatriz (Chico Buarque/Edu Lobo),
15. Tô Caindo Fora (Ana Carolina/Marilda Ladeira/Fernando Barreira)

Fonte: Revista Borage interativa

quarta-feira, 5 de maio de 1999

Belo futuro

Ana Carolina lembra, de fato, Cássia Eller. Os timbres de ambas as cantoras são muito parecidos. Mas Ana não é uma cópia de Cássia. Ela vem mais na trilha de Zélia Duncan, mas despista qualquer comparação com seu promissor CD de estréia. Sobretudo porque Ana também compõe e apresenta um trabalho autoral de bom nível. Ainda que os destaques maiores sejam Garganta e Tô Saindo, duas pérolas que deverão pôr o talentoso autor Totonho Villeroy em grande e merecido lugar.


O disco revela uma autora interessante. Vale registrar Armazém, faixa em que Ana toca pandeiro (ela chegou a ser conhecida no meio musical como “a cantora que toca pandeiro”). No quesito recriações, a intérprete não faz feio. É óbvio que músicas como Beatriz já ganharam versões mais refinadas. Mas Ana tem personalidade e ela sabe reconstruir, a seu modo e sem reverência, um clássico como Retrato em Branco e Preto.


Arnaldo Antunes confirma o talento ímpar em Agora ou Nunca e é interessante notar que sua música cresce em outras vozes (ainda que Arnaldo tenha progredido, e muito, do primeiro disco para cá). Já Alvin L. mostra-se apenas mediano em Perder Tempo com Você. Nada que tire o brilho da estréia de Ana Carolina em disco.


Fonte: Mauro Ferreira - Jornal O Dia