segunda-feira, 30 de abril de 2001

Ana Carolina canta todas as mulheres em CD

ogloboLixas de unha, esmaltes e outros apetrechos de salão de beleza não seriam exatamente associados à cantora Ana Carolina, principalmente por quem conhece sua furiosa figura de cabelos vermelhos dos shows e da televisão. Mas foram exatamente esses os elementos escolhidos por ela para ambientar o lançamento de seu segundo disco, "Ana Rita Joana Iracema e Carolina" (BMG).


- Minha mãe tem um salão de beleza em Juiz de Fora - diz, enquanto passa uma lixinha nas unhas, mineiramente. - E como esse disco teve a participação decisiva de tantas mulheres, achei que esse era o ambiente certo.


Além da própria Ana Carolina - e aí já são dois nomes femininos em uma mulher só - outras moças estiveram envolvidas na história: Adriana Calcanhotto, que com ela musicou o poema "Dadivosa", de Neusa Pinheiro, que na gravação tem um sample de Maria Bethânia, e "Violão e voz", uma espécie de samba moderno, conta com um vozeirão além do de Ana, o da Marrom Alcione.


- Sempre adorei a voz dela e queria vê-la cantando algo diferente do que normalmente está em seus discos - revela Ana. - E foi o maior astral, adorei gravar e aprendi muito com ela cantando. Arrasou.


As cinco mulheres no nome do CD são lados diferentes da personalidade da cantora.


- Sou muito inconstante, então às vezes sou Iracema, que toca pandeiro e lava chão numa casa de chá, sou Carolina, aquela que não vê o tempo passar pela janela, Ana, que canta com agressividade, a suave Rita, e Joana, que resume todos os meus defeitos.


Ainda nas mulheres, o nome do disco é uma referência a várias músicas de Chico Buarque: "Ana de Amsterdã", "A Rita", "Joana Francesa", "Iracema voou" e "Carolina".


- Acho que Chico é o cara na música brasileira que melhor cantou as mulheres, então faço essa referência - afirma Ana. - Na letra de "Violão e voz" eu lembro "Samba e amor", dizendo que faço samba e amor a qualquer hora.


Em seu primeiro disco, "Ana Carolina", ela regravou "Retrato em branco e preto", clássico de Chico e Tom Jobim. Desta vez, aparece com novas versões da fossa "Que será", de Marino Pinto e Mário Rossi, "Eu nunca te amei idiota", de Alvin L. (gravada pelo antigo grupo do autor, os Sex Beatles, que aliás tinha uma mulher como cantora, Cris Braun) e "Quem de nós dois", versão da italiana "La mia storia tra le dita", de Gean Luca Grignani e Massimo Luca.


Essencialmente, o disco vai na mesma onda do primeiro, com as música baseadas no violão percussivo e na força da voz de Ana. Ela compôs a maior parte do repertório, algumas vezes em parceria com o gaúcho Totonho Villeroy, com quem já trabalhara no disco anterior:


- Não senti pressão por causa do sucesso do primeiro disco (que ultrapassou as 150 mil cópias vendidas). Como passei muito tempo em turnê, deu tempo de compor um monte de músicas. Gravei 15 e queria mais, mas não me deixaram. (Bernardo Araujo)


Fonte: O Globo

Segundo CD de Ana Carolina

ana_carolinaAna Carolina faz dueto com Alcione em Violão e Voz, faixa de seu segundo CD, Ana, Rita, Joana, Iracema e Carolina. A cantora regrava um sucesso de Dalva de Oliveira (Que Será), inaugura parceria com Adriana Calcanhotto (Dadivosa, com Neusa Ribeiro) e regrava Herbert Vianna (Pra Terminar).


* Revelada em 1999, quando a música “Garganta” começou a tocar na trilha da novela “Andando nas Nuvens”, Ana Carolina enfrenta agora o teste do segundo disco, embalada pelas 160 mil cópias vendidas de seu álbum de estréia – marca, aliás, excelente para uma cantora iniciante e então completamente desconhecida do público. E tudo indica que, com o segundo CD, Ana vai superar essa ótima marca. “Quem de Nós Dois” lidera há semanas a parada nacional. Trata-se de uma versão de “La Mia Storia Tra le Dita”, música italiana que também já foi gravada, no Brasil, por José Augusto (a versão de Ana é diferente).


Versões à parte, o segundo disco da cantora traz repertório autoral, como o primeiro. Há parcerias de Ana com o gaúcho Totonho Villeroy (”Confesso”, “Que se Danem os Nós” e “A Câmera que Filma os Dois”) e músicas assinadas apenas pela cantora, sem parceria – casos de “Implicante”, “Joana” e “Vê se me Esquece”. Com Vanessa da Matta, Ana compôs “Me Sento na Rua”.


O disco é produzido por Nilo Romero, Dunga e Marcelo Sussekind. E traz algumas surpresas, como a regravação de “Eu Nunca te Amei, Idiota”, música de Alvin L., um dos compositores da geração pop revelada nos anos 80. Já a música de Herbert Vianna, “Pra Terminar”, foi lançada pelo grupo Biquini Cavadão em seu último CD, “Escuta”.


Fonte: Jornal o Dia

quarta-feira, 25 de abril de 2001

Ana canta as mulheres

As peculiaridades do universo feminino dão o tom do novo CD da mineira Ana Carolina Está escrito na contracapa Ana Rita Joana Iracema e Carolina: ''Concebido por Ana Carolina.'' A frase rara hoje em dia - ''produzido por'' e ''direção artística'' são muito mais comuns - dá ao ouvinte do segundo disco da mineira Ana Carolina a certeza de que o trabalho foi todo muito bem controlado por ela. ''É um disco conceitual. Fala do universo feminino, o meu'', confirma a moça de 26 anos e de voz forte que, no encarte, fez questão de não dispensar elementos que preenchem esse mundo: anéis, cabelos, lábios cobertos por batom, um amontoado de esmaltes ao lado dos apetrechos de uma manicura, bicho de pelúcia.


O universo feminino e de Ana é mais convidativo quando está iluminado, longe da escuridão das canções com interpretação melancólica que predominam no disco, que teve como produtores Nilo Coelho, Marcelo Sussekind e Dunga. Implicante, faixa raivosa composta por ela mesma e que, de início, fica ótima graças ao diálogo de voz com o pandeiro enfurecido de Marcos Suzano. ''Essa música eu fiz num dia'', diz Ana Carolina. Não se deixe impressionar por esta marca. Há melhores: Dadivosa, parceria dela com Adriana Calcanhotto e Neusa Pinheiro, levou só 25 minutos para ficar pronta. ''Quando a letra é boa...'', explica e comemora a moça sobre a música que começa assim: ''Que bom se eu fosse uma diva/ Daquelas bem dadivosas/ Que sai vida entra vida/ Ficasse ali verso e prosa.''


Como falar do universo das fêmeas não é das coisas mais simples do mundo, houve partos mais difíceis. A câmera que filma os dias, uma das três parcerias dela com Totonho Villeroy, demorou dois meses e meio para ficar pronta. ''Mas o disco como um todo foi feito num impulso. Em três meses estava pronto'', diz a cantora. Com Villeroy ela também fez a animadinha Confesso e a mais-para-balada Que se danem os nós, que funciona melhor. Como contraponto não só a esta balada, mas a toda feminilidade que colore o trabalho, Ana Carolina quis gravar uma música de Alvin L, Eu nunca te amei idiota, do primeiro LP do grupo Sex Beatles. ''É mais um momento da minha inconstância. É o contraponto a todas as canções românticas do disco'', explica. ''Cinzeiros voando livros rasgados/ Discos quebrados no chão/ Desta vez é pra sempre/ Até... alguém implorar por perdão'', escreveu Alvin.


Não é o único momento, digamos, raivoso do disco. A bolacha tem também Joana, da própria Ana Carolina. ''Eu tinha acabado de ler O pelicano, um livro de Adélia Prado'', diz a cantora, para explicar por que dedicou a música à escritora. Explica aí também de onde tirou inspiração para dar um tom bluesy à interpretação e para falar de Billie Holiday.


A única participação especial do disco fica por conta de Alcione, com quem Ana Carolina fez uma experiência em Violão e voz, outra composição sua. ''A intenção era ver como ela funcionava com uma roupagem mais moderna. Eu tinha certeza de que ia gostar. Alcione é uma referência, é uma cantora que canta à vera. Quem canta com emoção sempre me interessa'', diz entusiasmada. Duas outras coisas também a interessam: declamações bem feitas e gravar músicas que já foram consagradas noutras vozes. Por isso sampleou Maria Bethânia (trecho em Dadivosa) e investiu no clássico Que será (Marino Pinto/Mário Rossi), gravado por Dalva de Oliveira em 1950.


Ana Rita Joana Iracema e Carolina tem ainda uma regravação, a de Pra terminar, do paralama Herbert Vianna, originalmente gravada pelo Biquini Cavadão. Apesar de ser uma canção feita por um homem, Ana achou que casaria bem com o conceito do disco: ''Tem a coisa da dor feminina. Quando alguém vai questionar a relação, geralmente é a mulher. Há muito tempo queria regravar essa.''


terça-feira, 24 de abril de 2001

Sucesso Renovado

Ana Carolina chega ao segundo CD, Ana Rita Joana Iracema Carolina, ancorada pelas 150 mil cópias vendidas de seu primeiro álbum, que levava apenas seu nome. Boa marca para alguém que se lançava no mercado. Mas será que isso poderia, de alguma forma, influir na hora de preparar o sucessor da boa estréia? “Para mim, funcionou do mesmo jeito que no primeiro disco. Sou uma pessoa que mostra meu trabalho. Faço o que estou a fim”, garante Ana. E, de acordo com a própria, ela estava a fim de algo mais autoral. “Levei dois anos para gravar esse disco. Ele é mais amadurecido e denso”, conta.


A escolha de três pessoas diferentes para a produção explica um pouco da personalidade de Ana Carolina. “Sou muito inconstante: oito ou 80. Detesto discos, filmes e livros lineares”, conta. Se alguém parar para ouvir O Rio, a! primeira faixa, vai entender. O início calmo, canto contido e dedilhado de violão, prepara a canção para a guitarra distorcida e a voz solta que vem depois. Uma boa carta de intenções do que pretende ser Ana Rita Joana Iracema Carolina.


Outra boa música é Voz e Violão, dueto com Alcione. “É uma canção moderna, cheia de batidas. Queria ver o choque que seria ouvir a Alcione fora do universo dela”, explica. Para variar, a Marrom deu show. Tem também Quem de Nós Dois, da trilha de Um Anjo Caiu do Céu. Ana regravou Que Será, ouvida numa compilação de Dalva de Oliveira e que lhe traz recordações da mãe. “Lembro-me dela cantando pela casa. Gosto de desafios, gravar músicas conhecidas.” Um bom desafio seria tentar não sucumbir a canções pop-românticas no formato FM. É só ouvir Que se Danem os Nós e Confesso para entender. Ana estará às 20h de hoje no Palco MPB.


Fonte: D Indica /Disco

segunda-feira, 23 de abril de 2001

A prova definitiva

anacarolina_epocaO estouro da canção “Quem de Nós Dois” nas rádios faz Ana Carolina deixar de ser apenas promessa.


Está nos dedos de Ana Carolina o melhor símbolo do segundo CD de sua carreira. É um par de anéis rústicos furtado de um fogão de quatro ou seis bocas, não se sabe ao certo. Foi graças ao olhar feminino que Ana percebeu algo a mais nas peças displicentemente jogadas sobre a pia de sua cozinha. As braçadeiras do fogão eram o adorno perfeito para suas mãos claras de dedos fortes. O fogão – com licença das patrulhas feministas – é apenas mais uma das coincidências que fizeram do disco um encontro de vozes, sonhos e aspirações das mulheres.


Daí o título do disco – Ana Rita Joana Iracema e Carolina –, alusão às muitas dúvidas e inconstâncias que cercam todas elas. Não por acaso, são todos nomes de canções de Chico Buarque, o compositor que melhor canta a alma feminina. Foi justo ele, Chico, o responsável por um dos maiores orgulhos experimentados por Ana, de 26 anos, em sua carreira. Ao editar a série de CDs com o songbook do artista, o produtor Almir Chediak só recebeu um pedido: “Chico disse que gostaria que Ana Carolina fosse incluída entre as intérpretes”. Os olhos verdes do artista enxergaram o talento da guitarrista, dona de voz grave e singular.


No novo CD, Ana repete algumas fórmulas vistas no primeiro trabalho (Ana Carolina, 1999), mas dá provas definitivas de que seu estilo vigoroso, ao mesmo tempo romântico e irado, veio para ficar. Novamente a cantora faz uso do pandeiro – outro de seus talentos – numa das faixas. E mais uma vez regrava antigas canções, como “Que Será”, sucesso de Dalva de Oliveira nos anos 50. Mas tudo com nítida dose de amadurecimento Foi sensata e vitoriosa, por exemplo, a escolha da canção italiana “La Mia Storia tra le Dita”, já interpretada pelo cantor romântico José Augusto. Na nova versão, de Ana e Dudu Falcão, a artista consegue a receita exata para combinar sua voz e a empatia popular. ”Quem de Nós Dois”, incluída na trilha sonora de Um Anjo Caiu do Céu, novela das 7 da Rede Globo, já lidera as listas das músicas mais executadas nas rádios do país. “Foi tudo cadenciado, foi acontecendo aos poucos, mineiramente falando”, diz a cantora, descrevendo a silenciosa escalada ao sucesso.


Seu CD de estréia vendeu 150 mil cópias, mas o entusiasmo da gravadora – movido pela ótima performance de Ana nos palcos – transformou-se em certa frustração. Ana não brilhou como deveria, ou mereceria. “Viajei pelo Brasil. O primeiro disco viveu do show”, conta a artista sobre os meses de ausência entre os trabalhos. Os tempos agora são outros e o estouro na novela tem levado seu jeito tímido que se transfigura ao cantar a compromissos com o grande público, como o programa de Xuxa na TV. O CD não deu espaço a concessões. Boas melodias e arranjos arrojados não deixam que a voz dos descontentes ecoe na platéia. A Ana Carolina compositora está mais atuante: assina 11 das 15 canções. Em quatro delas conta com o auxílio luxuoso do gaúcho Totonho Villeroy, autor de “Garganta”, o hit do primeiro disco. Adriana Calcanhotto, a quem Ana Carolina conheceu numa temporada de shows no Rio de Janeiro, também é uma nova parceira.


Ouvem-se ainda outras mulheres, como Maria Bethânia, num sample, e Alcione, içada do samba para o pop. O CD dos anéis é a aliança de Ana Carolina com o sucesso.


Fonte: Cláudio Henrique / Época

sábado, 21 de abril de 2001

Todas as mulheres

Ana Carolina - Ana Rita Joana Iracema e Carolina [2001] - Capa



No verso do encarte, Ana Carolina, 26, rói a unha com olhar de dúvida. Quando se tira o disco da embalagem, surge uma foto de uma caixa de manicure repleta de produtos de beleza - cremes, pós, batons. O retrato simboliza a feminilidade que envolve Ana Rita Joana Iracema e Carolina, segundo CD desta cantora e compositora de Juiz de Fora, que chega às lojas neste final de semana pela gravadora BMG.


A própria Ana Carolina chama a atenção para o título do disco, inspirado em mulheres que viraram nome de música sob a pena de Chico Buarque, de longe o autor que melhor entende as nuances desses seres encantadores e, em muitos casos, incompreensíveis. "A mulher tem muito disso, de questionar o relacionamento, pensar, pedir perdão, se arrepender, sofrer calada e, acima de tudo, ter dúvidas", sintetiza Ana Carolina, em entrevista por telefone ao Caderno Dois.


Dona de uma voz grave e potente, ela credita que superou as comparações com Zélia Duncan e Cássia Eller, apontadas desde que a música Garganta, de Totonho Villeroy, estourou nas rádios brasileiras em 1999, puxando o seu disco de estréia. Contrariando a retração do mercado, o CD Ana Carolina vendeu 150 mil cópias, rendeu uma extensa turnê pelo Brasil e abriu várias portas para a cantora.


No intervalo entre os dois discos, ela participou do songbook de Chico Buarque, compôs e gravou duas músicas para a trilha sonora do filme Amores Possíveis, de Sandra Werneck, e foi convidada a cantar a faixa Mama Palavra no recém-lançado CD de João Bosco, Na Esquina Ao Vivo.


Para melhorar, a balada Quem de Nós Dois, versão de Ana Carolina e Dudu Falcão para a canção italiana La Mia Storia Tra Le Dita, virou tema da novela Um Anjo Caiu do Céu e figura entre as 10 músicas mais tocadas nas rádios de todo o país, segundo avaliação da revista Sucesso CD.


A seguir, Ana Carolina revela o perfil das cinco personagens que titulam o seu disco, as várias coincidências que cercaram a realização do CD, a origem do tom dramático de suas interpretações, e, ainda, porque sente um friozinho na barriga toda vez que encontra o seu muso inspirador.



O que mudou do primeiro disco para o novo?
Este segundo CD é uma continuação do primeiro, porém, mais amadurecido em termos de letras, arranjos e produção. Queria que cada música soasse de um jeito diferente e que falasse de minha inconstância. O CD é uma celebração do meu jeito de gostar de coisas diferentes.

De onde veio o título ‘Ana Rita Joana Iracema e Carolina’?
São títulos de canções de Chico Buarque. Ele foi o cantor que mais falou da mulher e o fez de forma maravilhosa. Sou fã número 0 do Chico. Confesso que até hoje fico nervosa quando o vejo.

É uma homenagem às mulheres?
Não diria uma homenagem, mas um momento meu de muita feminilidade. Coloquei esse nome depois que o disco estava todo pronto devido a algumas coincidências: a música Ela é Bamba fala de mulheres que batalham e que educam a nação; Implicante traz o verso "de que vale seu cabelo liso e as idéias enroladas dentro da cabeça?", que considero bem feminino; regravei Que Será, música eternizada por Dalva de Oliveira e que minha mãe cantarolava na minha infância; Joana, a babaca da história, eu fiz depois de ler o livro Pelicano, de Adélia Prado. Enfim, várias coincidências do universo feminino aconteceram nesse disco, inclusive uma canção em parceria com Adriana Calcanhotto que tem um sampler de Maria Bethânia, a diva maior.

Esses cinco personagens existem em você?
Diria que sou cada uma delas. Todo mundo é assim. A gente hoje tem que se desdobrar para ser mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Uso há cinco anos um anel que, na verdade, são braçadeiras de fogão. As pessoas me perguntam onde comprei estes anéis e eu digo que você pode encontrá-los em qualquer casa de apetrechos domésticos. Costumo dizer que a mulher tem que sair do fogão, botar o anel no dedo e ir em frente.

Este CD parece mais melancólico. Existe uma estética blue na sua interpretação?
Queria falar um pouco do que eu sentia no Rio, a angústia, dor - é coisa de mulher. Fiquei dois anos morando no Rio e algumas canções sofreram forte influência desses sentimentos. A música que fecha o CD, Me Sento na Rua, tem um ar de metrópole que se deve ao fato de eu estar morando no Rio. Tenho uma coisa Mississipi no jeito de cantar, mas nunca tive uma relação estreita com discos de blues. É atraente, para mim, cantar a dor.

As comparações com Zélia Duncan e Cássia Eller já foram superadas?
Acho que sim, né? Meu primeiro disco vendeu 150 mil cópias. Hoje as pessoas já sabem quem eu sou.

Quem teve a idéia de gravar ‘Quem de Nós Dois’ para a novela da TV Globo?
O Dudu Falcão, um dos meus parceiros nesse disco. Ele me mostrou La Mia Storia Tra Le Dita (Gean Grignani/Massimo Luca) e eu topei o desafio de fazer a versão. Foi uma experiência nova, porque me obrigou a aglutinar palavras paroxítonas ou proparoxítonas para caber na melodia. Como não podia fugir do tema da canção, o amor, busquei inspiração no livro de Roland Barthes, Fragmentos de um Discurso Amoroso. Enquanto houver amor, haverá canções de amor.

Como foi a experiência de gravar com Alcione?
Eu quis tirá-la do ambiente natural dela, o samba romântico, e trazer sua voz abissal para um beat eletrônico. É curioso ver a Alcione em um ambiente techno. O resultado foi maravilhoso.

Fonte: Gazeta





sexta-feira, 20 de abril de 2001

Palco MPB com Ana Carolina

A atração do próximo Palco MPB, no dia 24/4, é a cantora Ana Carolina, que está lançando CD Ana Rita Joana Iracema Carolina. O programa é exclusivo para ouvintes e internautas da MPB FM e é realizado no auditório da rádio, com apresentação de Fernando Mansur. Ana Carolina vai cantar seus sucessos, inclusive o recente Quem de nós dois. Para assistir ao Palco MPB, basta ligar para o 509-4790 ou enviar e-mail com nome, telefone, endereço, data de nascimento e número de identidade completos.

Não deixe de concorrer!

Auditório da MPB FM
24/4, a partir das 20h

Fonte: O Dia