quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Barbie Ana Carolina

Quem não gostaria de ter a sua ?


Ana Carolina by Marcus Baby 003Ab


Por Marcus Baby


Ana Carolina by Marcus Baby 015Ab“Gastei muito pouco tempo para customizar essa boneca, pois ela literalmente saiu de uma tirada só! Fui na loja já imaginando uma Barbie que funcionaria como a cantora Ana Carolina, achei, comprei e corrí para casa, seco para iniciar minha nova doll.


O visual que escolhí foi o do seu DVD “Dois Quartos”, onde Ana aparece com um elegante terno, cabelo mais claro e mais elaborado, sorriso enigmático nos lábios e um tremendo cruscifixo transparente sobre seu colo.


Iniciado os trabalhos, comecei com seu cabelo original que foi totalmente trocado por um outro de cor similar ao do DVD: apliquei tudo, cortei e moldei grandes cachos pesados. A maquiagem foi modificada, onde fechei um pouco os olhos da boneca e coloquei um tom de boca ao seu batom. A calça comprida e blazer foram feitos por minha mãe. A blusa interna foi montada na cola no corpo da boneca e sua jóia de pescoço foi aplicada pedra por pedra com uma pinça devido ao tamanho e delicadeza dos strass utilizados, tudo com uma cola especial. O detalhe final ficou por conta da guitarra que resolví fazer depois de concluir que seria muito complicado criar um piano para o ensaio fotográfico ou muito pobre aplicar em sua mão apenas um pandeiro, kkkkkk… No geral, todo o trabalho levou 2 semanas de planejamento e apenas 4 dias para execução.


ana-carolina-by-marcus-baby-001ab2"Finalzinho de domingo, quase 11 da noite e eu me preparando para dormir pois a semana que estava por vir, já prometia. Na TV com volume bem baixinho começava um especial tributo, onde várias cantoras interpretavam a sua maneira os sucessos antológicos do Roberto Carlos… De repente, naquela sensação gostosa de anestesia que só mesmo o inicio de sono consegue provocar, ouço os primeiro acordes de “Força Estranha”, resolvo abrir os olhos e aumentar o som: lá estava a Ana Carolina chiquérrima com toda a sua potencia e simpatia, um pouco nervosa – talvez devido a “magnitude” do evento que participava – e completamente magnífica em sua performance do mega-hit do “Rei” que simplesmente me causou arrepios… Cara, foi inenarrável! Se eu já a admirava graças ao seu talento e indiscutível forte presença de palco, nessa mesma noite (ao término da música), relaxei e prometi a mim mesmo que a recriaria o mais breve possível numa boneca exclusiva que, com certeza, não poderia falta na minha coleção de custom dolls."



Fonte: Blog Bonecos do Baby

ana-carolina-by-marcus-baby-025abAos fãs mais afoitos, lamentamos informar que a boneca não está à venda. O artista faz as costumizações como Hobby, portanto ele não fabrica brinquedos e não aceita encomendas. Ele apenas divulga sua arte para apreciadores do gênero, fãs das celebridades relacionadas, amigos e curiosos de plantão. Por favor não insistir.





Equipe Donana carolina

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Depois de dez, ‘Nove’

Bruno Calixto
Enviado especial

O primeiro CD (homônimo) de Ana Carolina saiu do forno em 1999. Dez anos depois, ela está prestes a iniciar uma turnê do álbum intitulado “Nove” (Sony Music), que tem nove faixas, a partir do dia 9 de setembro (mês 9). Um DVD, porém, planejado para ficar pronto ainda este ano, pode adiar o início dos shows, mas não os planos da cantora juizforana, que recebeu a Tribuna em sua casa no Jardim Botânico, no Rio. “Fico tão focada na parte artística, que não acompanho muito a agenda. Mas adoraria apresentar este trabalho em Juiz de Fora”, dispara Ana Carolina, sem saber, ainda, onde levará os novos sucessos, todos assinados por ela, reunidos no álbum produzido pelo trio Mário Caldato, Kassin e Alê Siqueira.


Completando uma década de carreira na Cidade Maravilhosa, Ana Carolina apostou em participações internacionais no disco, como a italiana Chiara Civello, que coassina “Traição”, “8 estórias”, “10 minutos” e “Resta”. Dos Estados Unidos, Esperanza Spalding empresta sua pegada jazzística à “Traição”, enquanto John Legend completa o duo com letra e voz para a suingada “Entreolhares”, primeira música de trabalho do CD, que já se encontra disponível nas lojas.


Encerrar um ciclo e iniciar outro não parece ser obstáculo para Ana Carolina, que segue entre as maiores compositoras do país, sem deixar seu romantismo para trás. O que pode ser conferido em versos como “Eu já não sei respirar / Quando estou ao lado seu / Juro que me falta ar”, de “Resta”. Afinal de contas, Ana Carolina é uma artista que não esconde que ama. E nem pretende parar de falar de amor.



Tribuna – Em “Dois quartos”, seu penúltimo CD, você toca baixo e faz um som mais pesado. Qual é a cara de “Nove”?
Ana Carolina – Se vai ser mais balada ou mais rock’n’roll eu nunca sei, só faço as canções. Em “Nove” a suavidade reinou porque tem baladas como “Dentro” e “Traição”, em que eu canto de uma maneira mais minimalista.

- O samba continua reinando também?
- Depois que eu fiz “Cabide” para a Mart’nália, fiquei mais à vontade para persistir e criar canções do estilo. Então fiz o samba “Torpedo”, que ficou três meses sem letra, e eu resolvi mandar para o Gilberto Gil, achando que era a cara dele. Em dois dias, ele me mandou a letra. Já o outro samba, “Tá rindo, é?”, é uma parceria com Mombaça e Antonio Villeroy. Este (ultimo) é uma espécie de Erasmo (Carlos) para mim.

- Como foi trabalhar com Chiara Civello?
- Chiara assina comigo “Traição” e “Resta”, uma balada que mistura música brasileira e italiana. Depois, a gente fez “10 minutos” e “8 estórias”, uma canção ficcional, em que todo mundo pergunta se eu fiquei com aquelas oito meninas, mas não é nada disto. O mais engraçado é que a versão da Chiara, em italiano, fala de meninos, enquanto eu quero falar das mulheres.

- E com os americanos?
- Para “Traição”, eu chamei Esperanza Spalding, uma cantora muito popular no jazz americano, que toca baixo e canta na faixa. Teve também John Legend, que sempre fui fã, mas não conhecia, na faixa “Entreolhares” que fiz com Antonio Villeroy.

- Apesar de mais coeso, “Nove” seria seu trabalho mais consistente?


- O lado autoral está vindo cada vez mais com força, e as pessoas me pedem música. Maria Bethânia foi a primeira pessoa que gravou uma música minha, “Pra rua me levar”, e logo me pediu outra, “Eu que não sei quase nada do mar”, que fiz com Jorge Vercilo. Comecei a compor para as pessoas, e isso é um ponto muito importante. Uma coisa é você ser uma “cantautora”, que fica mostrando o que é seu mas não contribui com outros intérpretes. É preciso assinar, deixar sua marca.



- Antes de gravar “Ana Carolina” (1999), seu primeiro CD, você mostrava seu som em Juiz de Fora. Como foi este início de carreira, em que você dividia os palcos com a Faculdade de Letras na UFJF?
- Eu lembro de muitas pessoas da cidade, como Luizinho Lopes, que foi o primeiro cara que me chamou a atenção para a composição. Ele tinha aquela atitude de chegar e cantar as canções dele, sem tocar um cover. Que legal poder afirmar: “sou compositor, e olha aqui minhas letras”. Gosto muito das meninas do Lúdica Música!, que, inclusive, abriram um show meu em Belo Horizonte. Tive o prazer de dividir o palco com nomes como Knorr, Adilson Santos, Dudu Lima – um grande baixista -, Alex Scio, Tânia Bicalho, Marcela Lobo, Cristiane Vicentin e Salim.

- Novos talentos de Juiz de Fora, como a Myllena, têm buscado seu lugar ao sol, muitas vezes inspiradas em você. Qual seria o caminho?
- A Myllena é maravilhosa. É uma grande promessa para Juiz de Fora, pois tem presença e compõe bem. O principal para uma cantora é a composição. Tem que compor e ter o próprio texto.

- E qual é a receita para alcançar a “tonalidade” certa?
- É muito subjetivo. Gosto é o que se discute neste momento. Tem gente que faz uma canção harmonicamente sofisticada, e nem sempre ela é tão boa como uma de três acordes. Músicas simples, como as de amor, na qual tudo já foi dito, é muito difícil ser diferente. É mais fácil fazer uma canção complicada, que trate de um assunto diferente, que uma música simples que esboce o que já foi tratado. Pois é preciso tocar o outro, e isto só vale a pena quando nossa arte consegue se comunicar.

- De cara, você emplacou o primeiro trabalho fonográfico, “Ana Carolina”, nas paradas de sucesso. Inclusive, faturou o Prêmio Multishow em 2000 na categoria revelação. Este foi seu divisor de águas?
- O grande passo para mim foi ter uma canção deste disco numa novela. Muito mais que qualquer rádio AM ou FM. Rolou ainda uma comparação com a Cássia Eller no início, e sofri por causa disto, embora tenha sido uma honra. Eu gravei o disco morando em Juiz de Fora. Ficava em um hotel no Rio e voltava. Quando começou a dar certo, mudei para cá.

Na ponta da língua






Ana Carolina



> Livro
“A elegância do ouriço”, de Muriel Barbery

> CD
“Amoroso”, de João Gilberto

> Música
“Choro bandido”, de Chico Buarque e Edu Lobo

> Prato
Feijão

> Sexo
Na cama

> Amor
Companheirismo

> Traição
Sem definição

> Merece bis
Eu, Alcione e Maria Bethânia em Santo Amaro

> Nunca
Julgar

> Sempre
Agir com o coração

> Vai no epitáfio
Desculpem a poeira

Fonte: Tribuna de Minas

Ana Carolina: “O universo entre duas mulheres é muito rico”

Bissexual assumida, a cantora revela que pretende congelar seus óvulos


POR VALMIR MORATELLI


ana-carolina-divulgacaoAo lançar seu novo CD, “Nove”, a cantora Ana Carolina mostra que continua sem medo de dizer o que pensa. “Sempre fui de falar as coisas em casa, de maneira aberta. Quando me tornei uma pessoa pública, mantive o que era em casa, falando sobre tudo naturalmente”, diz ela, que completará 35 anos no dia 9 de setembro, quando estreia um show, no Rio de Janeiro.


Ela recebeu QUEM em sua nova casa, uma mansão de três andares, de paredes envidraçadas e muros altíssimos, no bairro do Jardim Botânico, Zona Sul do Rio. Numa das salas, repleta de quadros que ela mesma pintou, livros de capa dura comoThe Allure of Woman e The Big Penis Book predominam sobre a mesa de centro. Entre assessoras, empresárias e empregadas, são nove mulheres presentes por lá. Na entrevista a seguir, como era de esperar, Ana foi franca e direta: disse que vai congelar óvulos para, no futuro, ser mãe; desmentiu os boatos de que teria tido um caso com Adriane Galisteu e, mantendo a natural irreverência, falou de sexo com homens e mulheres.



QUEM: Por que tantos números 9 em sua vida? É uma superstição?

AC: Fiz dez faixas para o disco novo, mas a décima era um blues, que seria um ET no meio de tudo, não tinha nada a ver com as demais. Aí, deixei só nove, ou seja, não foi nada “mirabolado”. Faço aniversário numa data cheia de noves. Quando vi que tinha nove canções, que minha carreira foi lançada em 1999, não teve discussão, pensei: “O CD vai ser Nove e ponto”. Mas não é uma fixação, é só coincidência mesmo.




“NUNCA TRAÍ NEM FUI TRAÍDA. MAS OLHA QUE CURIOSIDADE: SOU FILHA DE UMA RELAÇÃO EXTRACONJUGAL DO MEU PAI. NASCI DESSA TRAIÇÃO, QUE DUROU 12 ANOS."



QUEM: Na música “Tá rindo, é?”, você canta que “Homem bom hoje em dia tá ruim de arranjar”. É isso mesmo?

AC: (Risos) Escuto algumas pessoas falando isso, é um papo universal. Essa música é um papo entre duas mulheres dentro de uma van, falando sobre vestidos, casamento, homens… É uma crônica cantada (ela acende um cigarro e joga as cinzas no chão). Ai, o mundo é um imenso cinzeiro.

QUEM: Você já andou de van?


AC: Cara, andei na época do Ana Rita Joana Iracema Carolina, em 2001, quando fiz vários shows em lonas culturais pela Zona Norte do Rio. Tinha muita vontade de entrar numa van de passageiros mesmo, mas não dá, né? Voltei agora de Londres, ficava no meio da galera, não tinha essa coisa de “Ah, ali a famosa”. É uma sensação boa.



QUEM: Na faixa “8 estórias”, você lista situações diversas com mulheres. São todas suas ex?

AC: Não tem nada de verídico ali. Até porque não ficaria bem falar que só tive oito ex-mulheres. E também não ficaria bem contar de todas essas ex numa música.


QUEM: Num CD anterior, você cantou que “comeu a Madonna”. E o que acha do Jesus Luz?


AC: Vamos manter a heresia, né (risos)? Jesus é muito melhor do que eu. Ela arrasou. Naquilo ali está tudo certo (refere-se a Jesus)! Aliás, se eu fosse comer “com” a Madonna, seria vinho e peixe, multiplicação da comida e da bebida, como na Bíblia.


QUEM: Além de tórridos amores, suas músicas falam bastante de traição. É um assunto que você conhece bem?


AC: Nunca traí ou fui traída. Mas olha que curioso: sou filha de uma relação extraconjugal do meu pai. Nasci dessa traição, que durou 12 anos. Meus pais não foram casados, e ele faleceu quando eu tinha 2 meses. Acredito que você traia porque quer um prazer e não pelo desejo de fazer mal ao outro (a mãe dela chega e interrompe a entrevista para beijá-la). Estava falando da senhora nesse momento, mamãe! Falando bem, claro.



QUEM: Você lidou bem com o fato de saber que foi fruto de uma traição?

AC: Não tinha que lidar com isso. Era fato. E, depois, meu pai morreu sem eu conhecê-lo.

QUEM: Em entrevista a QUEM, em abril de 2008, você disse que gosta “dessa coisa confusa que é o pensamento feminino”. Isso quer dizer que você gosta de discutir a relação?


AC: Adoro! Dos poucos relacionamentos que tive com homens, percebi que vocês são pessoas mais fáceis de lidar, as coisas são como são. Agora, falando da relação mulher com mulher, as diferenças são conversadas, e não ignoradas. Ninguém deixa nada para depois. Pense que são duas mulheres que têm TPM, são naturalmente complexas. Tem uma cumplicidade maior aí. Não sairia com a cueca do cara, mas saio com a calcinha da minha namorada. Uma mulher com outra mulher exerce vários papéis: o de mãe, amiga, namorada, mãe, filha. O universo entre duas mulheres é muito rico.



QUEM: Você pensa em ser mãe?

AC: Não tem como não pensar. Na última consulta, conversei com meu clínico geral sobre congelar óvulos. Ele disse que vai me passar o nome da pessoa com a qual posso fazer isso. Não me vejo hoje tendo condições de dar atenção a uma criança, com o tipo de vida que levo. E sou diabética, não sei com até quantos anos produzirei óvulos. Quero deixar isso relaxado na cabeça. Vai que, com 45 anos, resolvo ser mãe e não posso mais?




“FALANDO DA RELAÇÃO MULHER COM MULHER, AS DIFERENÇAS SÃO CONVERSADAS, E NÃO IGNORADAS. (…) PENSE QUE SÃO DUAS MULHERES QUE TÊM TPM, SÃO NATURALMENTE COMPLEXAS.”



QUEM: Não cogitaria a ideia de adotar?


AC: Sim, por que não? Minha irmã, Selma, adotou duas meninas na Amazônia, sou madrinha delas. Fiquei encantada em ver como aquela relação delas virou uma família cheia de amor.




QUEM: Você já disse que iria inaugurar uma fase mais “colorida” em sua vida, dizendo que estava em busca de um namorado. Isso se concretizou?

AC: Essa fase aconteceu. Mas passou. Eu me aquietei. Estou namorando, não vou falar quem. Estou superfeliz.


QUEM: Está namorando homem ou mulher?


AC: Ai, não vou falar. Corta, corta…


QUEM: No ano passado, você foi clicada aos beijos, num show da Preta Gil, com um rapaz. Vocês namoraram?


AC: A gente ficou, mas não quero expor a pessoa, porque ele não soube lidar com essa história. No dia seguinte, o Orkut dele estava cheio de meninas querendo explicações, a casa dele foi vigiada. Várias meninas diziam na internet: “Não suporto esse cara”, “Jamais esperaria isso dela”… Isso era coisa de gays radicais, claro. O público gay ficou mais incomodado em saber que eu beijei um cara do que o público normal ao saber que eu fico com meninas.



QUEM: Você e Adriane Galisteu tiveram um relacionamento?

AC: Não, imagina.

QUEM: Ela nunca negou nem confirmou.

AC: Eu soube dos boatos. Adriane estava numa época meio complicada. Ela chegou a ir nuns dois shows meus. E aí deu cabo para todo mundo sair falando essas coisas.



QUEM: Vocês são amigas?

AC: Somos amigas assim, de ela ir aos meus shows. Depois do show, a gente sai para jantar, com amigos… Não me incomodam esses comentários.


QUEM: Já namorou menino e menina na mesma época?

AC: Namorar, não. Mas já fiquei na mesma época, sim, e já era adulta. Não sei se eles souberam. Eu soube!



QUEM: Quem você seria se fosse um homem?

AC: Hum… Vou arrebentar nessa resposta! Eu seria uma junção. Teria os olhos do Andy Garcia, cabelos e nariz do Johnny Depp, boca do Brad Pitt e corpo do Wolverine, o Hugh Jackman.



QUEM: O que homens e mulheres têm que ter para te conquistar?

AC: Homem tem que ter convicções, cabeça aberta e não ter família tradicional. Uma mulher tem que ter tudo isso e usar salto alto.



Fonte: Revista QUEM

O Abre a rodinha

Os saraus na casa do compositor Antonio Villeroy são cada vez mais disputados por gente interessada em fazer e ouvir música


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Por Karla Monteiro

Fotos de Marizilda Cruppe

Acontece em média uma vez por mês. A lista de habitués é longa: o escritor Francisco Bosco, a cantora Ana Carolina, o escritor e compositor Jorge Mautner, a novata Maria Gadú, o casal Maria Paula e João Suplicy, o virtuose Yamandu Costa, a poetisa Elisa Lucinda, entre outros artistas — principalmente músicos — de várias vertentes, como Paulinho Moska, Bebeto Alves, João Nabuco, Bena Lobo, Mombaça. Todo mundo que circula por ali escreve, canta, toca.


Os saraus do cantor e compositor gaúcho Antonio Villeroy são coisa fina.


O amplo apartamento fica no Alto Leblon. Das varandas, o Rio lá embaixo, deslumbrante, iluminado, lembrando que a cidade já teve essa tradição musical de portas abertas, gente talentosa reunida, como nos bons tempos da bossa nova, quando Nara Leão, Tom Jobim e Vinicius recebiam sua turma.



— Uma vez chegou aqui o Caetano.

Disse: “Vim de penetra na sua festa.” Respondi: “Penetre à vontade” — brinca Villeroy, imitando o sotaque malemolente do baiano. — Gosto de casa aberta. Mas agora estou tendo que deixar uma lista na portaria. Tem noite em que há mais de cem pessoas. Outro dia desci para comprar bebida, tipo 3h da manhã, e estava uma fila na rua.


Na noite de sábado dia 25 chegamos cedo, tipo dez da noite, à casa de Villeroy — ou Totonho, como é chamado pelos convivas. Na sala, além do piano, dos microfones e dos instrumentos já montados, a família: a matriarca, Heloiza Villeroy; os três filhos dela, Totonho, Carlos Eduardo e Gastão, que toca com Milton Nascimento; mais noras e netos. Até então, parecia tratar-se de uma reunião social comportada, para músicos sérios mostrarem seus trabalhos. Sotaque carregado e índole de anfitrião, Totonho logo esclareceu que sarau é uma tradição que ele trouxe lá de São Gabriel, cidadela dos pampas gaúchos. O pai, o advogado Gil Villeroy, curtia receber os cantores locais para milongas.


— Ainda bem pequeno, lembro de acordar de manhã e ver tudo montado: bateria, violões, microfones. Com 13, 14 anos, eu e meus irmãos começamos a tocar e também a fazer saraus. A nossa turma se misturou à do nosso pai — diz. — Desde que me mudei para o Rio, em 2000, faço reuniões. Novos amigos foram se agregando. E sempre surge gente de surpresa. Outro dia foi a Bebel Gilberto.


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Depois da meia-noite, o apartamento assumiu outro tom. Ou tons. Com os músicos se revezando na rodinha — e a cerveja rolando —, a temperatura subiu. Em cada cômodo da casa uma história, um ritmo, uma toada. Tímida como ela só, Maria Gadú, que lançou seu primeiro disco no Vivo Rio, na semana passada, enfurnou-se num quarto, escoltada pelo amigo Toni Ferreira, um garoto de 24 anos, visual andrógino e timbre — cara também — de Cazuza. Entre um gole e outro, uma baforada e outra no cigarro, Gadú contou que começou a cantar na noite paulistana aos 13 anos e que desde que chegou ao Rio para passar o último réveillon, nunca mais conseguiu ir embora.


— Eu e o meu amigo primeiro ficamos na casa de outro amigo. Como a gente estava sem grana, ele falou vai ficando e a gente foi ficando. Um dia o Rafael Almeida, que é ator, me apresentou para o Jayme Monjardim, falou que eu cantava “Ne me quitte pas”. Ele estava fazendo a minissérie “Maysa”, casou — diz. — Na apresentação da minissérie para a imprensa, fiz um showzinho e um cara da Som Livre me chamou para gravar o disco. Foi indo, foi indo e aí, quando vi, estava morando aqui. Agora a minha mãe se injuriou com São Paulo e veio para cá também.


Enquanto Gadú conta sua história, Maria Paula se joga no sofá e seu marido, João, Suplicy puxa um Chico Buarque no violão. Em seguida, impulsionado por João Nabuco, que ficou absolutamente admirado com a semelhança, Toni Ferreira, o acompanhante da cantora paulistana, emenda um Cazuza. Acreditem: reencarnação.


Na sala, Yamandu, Totonho e seus irmãos, Gastão e Carlos Eduardo, arrasam com a levada sulista.


Coisa para aplaudir de pé. Yamandu resumiu muito bem o sarau do conterrâneo. Segundo ele, trata-se de um zoológico musical.


— O Totonho junta gente de várias vertentes, que nunca se bicam: músicos eruditos, músicos que já estouraram, músicos que querem estourar, figuras mais pops, gente jovem precisando de acesso — diz. — É muito difícil fazer isso, misturar tantas tendências. Esse tipo de coisa estava fazendo muita falta no cenário musical.



É básico para a formação de amizades e parcerias.

Os encontros, de fato, acontecem por ali. Em uma ocasião, a cantora e compositora italiana Chiara Civello apareceu, recomendada por Mauro Refosco, da banda de Bebel Gilberto. Curtiu tanto que virou parceira musical de Totonho e também de Ana Carolina. Outro que se apaixonou pela cena foi Jesse Harris, músico americano que emplacou hits na voz de Norah Jones. Depois de uma noite de sarau, ele e Totonho compuseram juntos e agora o disco de Harris vai sair pelo selo do amigo brasileiro, o Pic Music. Gadú já confirmou presença no próximo DVD de Ana Carolina. As costuras rolam, regadas a cerveja, vinho, vodca e brigadeiros.


— Acho que sou um dos mais assíduos frequentadores. Aqui fiz parcerias com o João Suplicy, com a Ana Carolina, com o Totonho Villeroy. O sarau é uma forma de compartilhar, de interagir, de encontrar os virtuoses, numa onda free — define Mombaça, um dos principais parceiros de Mart’nália.


— Hoje já existe um circuito de gente que faz saraus em casa. Eu tenho composições com o Totonho. O João Suplicy musicou um poema meu, que ouviu aqui.


São noites maravilhosas, com pessoas maravilhosas. Na última, terminamos eu, Paulinho Moska, Hamir Haddad, Selma Reis, Tunai e Totonho, todo mundo até de manhã — conta Elisa Lucinda.



Fonte: O Globo

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Ana Carolina fala sobre seu novo CD, N9ve


ana-carolina-cd-nove2


Celebrando uma década de uma das carreiras mais bem-sucedidas comercialmente da atual MPB, a cantora Ana Carolina lança neste mês o álbum “N9ve”.


O nome do disco não é por acaso: o número nove sempre teve uma importância mística para a cantora, a começar pelo dia de seu aniversário: 9 de setembro (9/9). Como não poderia deixar de ser, traz nove faixas, uma composta em parceria com Gilberto Gil. O CD traz participações especiais de três músicos estrangeiros: os norte-americanos John Legend e Esperanza Spalding e a italiana Chiara Civello. Ana Carolina falou ao Metro sobre seus convidados e seu novo álbum.


O seu último disco, “Dois Quartos”, era duplo e tinha 24 canções. O atual é simples e tem só nove. Por que optou por menos músicas?




Por que tinha só nove músicas mesmo, é um trabalho mais enxuto. Já houve muita reclamação, gente que prefere mais músicas, mas tantas como no último disco é só para quem é muito fã mesmo. Para o outro CD, também tive muito mais tempo para compor, pois não fiz turnê antes dele. Mas agora fiz muitos shows e isso dificultou o processo de composição.



Como surgiu a parceria com Gilberto Gil, em “Torpedo”?

Eu compus a melodia e achei que tinha a cara do Gil. Eu o procurei e pedi para que que escrevesse uma letra. Em dois dias, ele me respondeu com a letra prontinha.



Quatro das músicas do disco são assinadas por você e pela italiana Chiara Civello. Como surgiu esta parceria?

Eu a conheci quando ela veio ao Rio, fomos apresentadas e a parceria nasceu instantaneamente. Fluiu. "



E como surgiu a ideia de cantar com Esperanza Spalding e John Legend?




A Esperanza eu tentei conhecer quando ela veio ao Brasil.Trocamos e-mails e ela aceitou voltar ao país para cantar e tocar baixo acústico na faixa “Traição”. Era fã do John Legend, também entrei em contato por e-mail. Fiquei muito feliz por ele aceitar gravar."



A MPB tem um público cativo, mas poucos já venderam tanto quanto você. A que você atribui tanta popularidade?




Não tenho a menor noção… Faço o que eu quero e o que eu gosto. Dei sorte, mas também tem muita verdade no meu trabalho.



Fonte: E Band

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Ana Carolina comemora 10 anos de carreira com Nove

Rio, 10 (AE) – Sempre que acaba de gravar um CD, Ana Carolina analisa e conclui que poderia ter feito melhor. No caso de algumas canções, como a versão de Quem de Nós Dois (de 2001), curiosamente um dos seus maiores sucessos, ela gostaria de poder voltar no tempo e refazer a gravação. Com Nove (SonyBMG), o CD que lança e com o qual comemora dez anos de carreira, foi diferente. “Desse eu gostei”, diz a cantora mineira, que deu entrevista em seu novo endereço no Rio: uma casa no Jardim de Botânico de projeto e vista cinematográficos, para a qual se mudou recentemente.


Nove tem nove músicas, será vendido a preço sugerido de R$ 19,99, com tiragem de 99.999 unidades e lançado com show no dia nove de setembro de 2009, no Citibank Hall (quando ela completa 35 anos). “Não é TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), é um carinho com o número”, brinca. É seu algarismo da sorte há muito tempo. A relação é tamanha que Ana limou uma décima faixa – um blues que ela julgou não ter lugar junto aos sambas e baladas já escolhidos -, para que ficassem apenas nove.


O último CD de inéditas foi o duplo Dois Quartos (2006), com 24 faixas. Dessa vez, ela quis chegar ao que considera essencial. “É um disco mais enxuto, mais coerente”, diz Ana, que se cercou de gente competente a qual admirava, a começar pelos produtores, Kassin, Mario Caldato e Alê Siqueira. Eles trouxeram músicos como Alberto Continentino (baixo), João Parahyba (percussão) e Donatinho (teclados). Ana preferiu não se ocupar da produção, como fez nos trabalhos anteriores. Gostou de mudar. “Quando você já tem seus métodos, é muito bom que reveja seus conceitos”, justifica


Ana foi atrás da cantora e contrabaixista norte-americana Esperanza Spalding, que toca em Traição; em Entreolhares (The Way You’re Looking at Me), a música bilíngue que está tocando nas rádios, ela faz dueto com o cantor de R&B John Legend. A composição é dela, de Legend e Totonho Villeroy, seu constante parceiro. Traição é de Ana com a italiana Chiara Civello, a quem ela conheceu em saraus, e que coassina mais três: Resta (esta também de Dulce Quental), 10 minutos (Dimmi Perché) e 8 Estórias (uma coletânea de malsucedidos casos de amor entre mulheres).


Ana e Mombaça mandaram um samba e rapidamente Gilberto Gil fez a letra de Torpedo. A ultraromântica Dentro (Escolhi o pior lugar pra me esconder/Me tranquei por dentro de você/E não sei mais sair) ela compôs com Dudu Falcão; a divertida Tá Rindo, é?, outro samba, é do trio Ana/Mombaça/Villeroy.


Afora Gil, são compositores que estão com ela desde os hits Garganta, Nada Pra Mim e Quem de Nós Dois, que ajudaram a cantora de barzinhos “conhecida só por 200 pessoas em Minas Gerais” a vender mais de dois milhões de discos (este é o oitavo, sendo o quinto de inéditas), e a amealhar prêmios ano a ano.


Credenciais que fazem com que Ana não se deixe abalar por quem critica seu apelo popular.




Tem compositor que se acha bom demais para tocar na rádio. Eu ganhei prêmio de melhor música no Domingão do Faustão cantando Carvão, que é uma das canções mais sofisticadas do Dois Quartos. Tem uma coisa que conta bastante no Brasil, que é o carisma. Quem tem carisma pode gravar qualquer coisa e conseguir se comunicar com o homem e a mulher comuns.”



Fonte: Gazeta do sul


domingo, 9 de agosto de 2009

Ana Carolina lança o CD N9ve

Cantora faz pose de mulherão, amplia o leque de parceiros com artistas estrangeiros e avisa: “Quero me superar”


ana carolina noveb“Sinal dos tempos”, deduziu Ana Carolina, depois de ser informada pela gravadora de que Entreolhares, a primeira música de trabalho de seu novo álbum, atingiu a marca de 10 mil downloads em apenas um dia. Parceria da intérprete mineira com o gaúcho Antonio Villeroy e o norte-americano John Legend Stephens – que a traduziu para o inglês –, a canção é provavelmente um retrato fiel de Ana Carolina.


Afinal de contas, ela sofreu transformações notáveis em uma década: do físico (o mulherão das fotos atuais simplesmente não existia no início de carreira) à produção confessional – que, para alguns, está cada vez mais para a música americana que para a brasileira.




“Podem gostar ou não de mim, mais eu tento. Estou fazendo música do meu jeitinho, com o meu violão e as minhas coisas”,



defende-se a cantora e compositora de Juiz de Fora. Ela avisa: vai continuar tentando se superar a cada trabalho.




“Acho que é por aí”, diz.



Em 9 de setembro, ela inicia pelo carioca Citibank Hall a turnê nacional de lançamento de N9ve.


Nove escrito assim mesmo? Sim. Além de referência ao número (reduzido) de faixas, o novo disco alude à data de nascimento dela: 9 de setembro. Ah, a Sony/BMG anunciou que a tiragem é de 99.999 cópias. Pode? Pode. Sétimo álbum solo de Ana Carolina, além de um representante do legítimo rhythm & blues (John Legend), que casa perfeitamente com o timbre poderoso da mineira, a lista de convidados internacionais inclui a cantora italiana Chiara Civello, radicada nos Estados Unidos, que divide com Ana a autoria de quatro canções (10 minutos, Estórias, Resta – cantada pela dupla – e Traição), e a contrabaixista americana Esperanza Spalding (participação especial em Traição).


De Dois quartos (o álbum duplo anterior, de 24 faixas) para N9ve (que ela, em tom de brincadeira, classifica de “quitinete”), Ana Carolina parece querer reafirmar a possibilidade de carreira internacional, ainda que não troque de língua para soltar o belo vozeirão.




“O número de faixas do disco foi apenas coincidência, nada mais. Quando vi, eram nove músicas prontas para gravar. Tanto que a décima, o blues chamado Mais que a mim, nada tinha a ver com esse repertório e acabou ficando de fora”, destaca. “Pode parecer que fiz um álbum menor porque o último foi grande, mas não tem nada a ver também.”



INTERNET

A presença de convidados gringos foi outra obra do acaso, revela Ana.




Passo muito tempo na internet, onde descobri o John Legend. Peguei a faixa, mandei para ele perguntando se queria gravar. Ele disse que sim e fez a versão para o inglês”, relembra.



Chiara Civello chegou por meio do neto de Tom Jobim Daniel Jobim, que a apresentou à cantora italiana.

Quando criança, ouvia canções italianas”, recorda Ana Carolina. “Chiara me fez conhecer algumas cantoras novas e canções antigas da Itália. Nós fizemos verdadeira troca musical.”



Se Entreolhares for tão bem nos países em que o disco de Ana deve ser lançado, a mineira não descarta a hipótese de se lançar fora do Brasil.




Não tenho carreira internacional”, assume ela, informando que fez shows apenas em Portugal e nos Estados Unidos. “Quem sabe N9ve não traga exposição maior lá fora, fazendo com que a gente arrume um jeito de cantar no exterior? Seria bacana.”



Antes que acusem Ana Carolina de se americanizar de vez, vale lembrar: o velho e bom samba, ainda que às vezes meio estilizado, marca presença em seu novo trabalho.


Gil Um belo exemplo do gênero genuinamente brasileiro é Torpedo, faixa com participação de Mombaça e letra esperta do ex-ministro Gilberto Gil: “Desde que o samba começou/ O bamba sempre usou/ Variações inúmeras para dar/ Conta de tantas emoções…”. Esses versos refletem as misturas e transformações inevitáveis da MPB “desde que o samba é samba”, como cantou Caetano Veloso.



Para Ana Carolina, já se foi o tempo em que se media o sucesso de um artista ou de uma canção por vendagem de discos ou sua execução em rádio.

Quando recebi a notícia de que Entreolhares teve 10 mil downloads em um único dia, vi que a gente mede sucesso dessa forma. O sinal dos tempos está aí”, constata. “Esse tipo de coisa não atrapalha o artista. Atrapalha a gravadora, quem ganha dinheiro com venda de música. Artista ganha dinheiro é com show”, conclui.



Fonte: UAI